Celebrado nesta sexta-feira (29), o Dia Internacional do Gamer reforça a força de um setor que não para de crescer. De acordo com levantamento da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames), o mercado movimenta mais de R$ 1,5 bilhão por ano apenas no Brasil, consolidando o país como o maior mercado da América Latina e o 10º no mundo em faturamento.
No Estado de São Paulo, o segmento já concentra cerca de 40% das empresas de desenvolvimento de jogos eletrônicos do país. O número reflete a importância da região na atração de investimentos e na geração de oportunidades para profissionais ligados à indústria criativa e tecnológica.
Campinas como polo de games
Um dos destaques do setor é a Cadeia Produtiva Local (CPL) de Games de Campinas, reconhecida pelo programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). O reconhecimento abriu portas para novas parcerias e consolidou a cidade como um dos polos estratégicos do setor.
“O reconhecimento trouxe credibilidade e abriu portas para novas conexões com parceiros importantes, como o Sebrae. Foi um passo essencial para consolidar Campinas como um polo estratégico da indústria de games em São Paulo”, afirma Edvar Pera, diretor executivo do Núcleo Softex Campinas (NSC), entidade gestora da CPL.
Entre os principais eixos de atuação estão a formação de talentos e a qualificação de profissionais. Desde 2019, mais de 100 mil alunos participaram de cursos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) oferecidos pela plataforma da Softex.
“Acreditamos que a base para o crescimento da indústria é a mão de obra. Por isso, levamos cursos e aulas de robótica para escolas, mostrando aos jovens que as ciências exatas são legais e podem ser uma boa escolha de carreira”, complementa Edvar.
Demanda de empregos e inovação
Segundo estimativas do NSC, há uma demanda reprimida de pelo menos 5 mil vagas para profissionais da área de tecnologia e games. A expectativa é que esse número cresça a cada ano, impulsionado pela expansão do setor.
A indústria de games é naturalmente multidisciplinar, envolvendo programadores, designers, artistas, músicos e roteiristas. Para ampliar essa diversidade, o NSC promove workshops que conectam áreas como cinema, literatura e artes visuais ao desenvolvimento de jogos.
“O Brasil ainda carece de formações específicas na área. Por isso, promovemos workshops que mostram como diferentes habilidades podem ser adaptadas para os games, criando equipes mais completas e inovadoras”, explica Marcelo Rigon, empresário e coordenador da área de games no NSC.
Apoio a estúdios independentes
Além de capacitar novos talentos, a CPL também apoia estúdios independentes, oferecendo oficinas, mentorias e conexões com grandes empresas. Em 2024, 10 representantes de pequenos estúdios brasileiros foram levados à Gamescom, a maior feira de games do mundo, realizada em Colônia, na Alemanha.
Combate ao preconceito com produções nacionais
Apesar do avanço, parte do público gamer ainda apresenta resistência em relação aos títulos desenvolvidos no Brasil. Para mudar esse cenário, a CPL planeja ações de divulgação em novos canais e até um projeto de fliperamas itinerantes que levarão exclusivamente jogos nacionais a eventos culturais.
“Ainda existe uma síndrome de vira-lata, mas quando o público jogar os games feitos aqui, vai perceber a qualidade e mudar o olhar”, reforça Marcelo Rigon.
Mercado global
O crescimento acompanha uma tendência mundial. Em 2023, o mercado global de jogos digitais movimentou 396,2 bilhões de dólares. No Brasil, a expansão é acelerada por uma população jovem, conectada e apaixonada por games, que celebra nesta sexta-feira não apenas um hobby, mas uma indústria de grande impacto econômico e social.
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*Com informações: Agência SP