A cidade de Santo André, no Grande ABC paulista, deu um passo decisivo para consolidar sua posição como referência nacional em infraestrutura. Com a conclusão das obras de rede de água no Parque Andreense e bairros adjacentes, o município oficializou o fim da dependência de caminhões-pipa para o abastecimento doméstico, uma demanda que se arrastava por décadas na região de mananciais.
O avanço não é apenas local. Segundo os dados mais recentes do Ranking do Saneamento 2025, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, Santo André já figura como a segunda cidade do país que mais investe por habitante no setor ($R\$ 608,89$). O novo sistema de rede beneficia diretamente áreas como o Parque Represa Billings, Sítio dos Tecos e Jardim Clube de Campo, integrando-as ao sistema regular de distribuição da Sabesp.
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O fim de uma espera de 30 anos
Para quem vive na região, a chegada da água encanada representa o fim de uma logística complexa e restritiva. Até então, o abastecimento era feito semanalmente por caminhões, obrigando os moradores a um racionamento rigoroso. Caso o reservatório secasse antes do prazo, era necessário solicitar reforço emergencial.

A mudança foi celebrada por moradores veteranos. Gilda Muniz Reis, residente do Parque Andreense há três décadas, resume o sentimento de alívio da comunidade: “Mudou muito, porque a gente já esperava há muitos anos essa água. Sem dúvida nenhuma, foi uma coisa boa, pra mim e pra todo mundo”.
Com a nova infraestrutura, foram implantados cerca de 30 quilômetros de tubulações, permitindo 1,5 mil novas ligações diretas. Isso garante que a água chegue às torneiras de forma contínua, sem a interrupção típica do modelo anterior.
Justiça social e impacto ambiental
O encerramento do serviço de caminhões-pipa também traz um ganho ecológico significativo para a região de proteção ambiental. A substituição dos veículos pesados movidos a diesel por uma rede de distribuição eficiente reduz drasticamente a emissão de gases poluentes na atmosfera.

O prefeito Gilvan Ferreira classificou a entrega como uma medida de equidade. “Hoje é um dia histórico para Santo André. Trabalhamos muito nos últimos anos para universalizar o abastecimento de água na cidade. Já passamos pelo Parque Miami, Clube de Campo, Recreio da Borda do Campo e agora chegamos nos últimos bairros que ainda utilizavam caminhão-pipa. A gente fica muito feliz em colocar água na torneira da cidade inteira. O que estamos fazendo é justiça social e alcançando quem mais precisa primeiro”, afirmou o chefe do Executivo.
Liderança no ABC e o Programa Integra Tietê
Os números explicam o otimismo da gestão. Além de liderar o saneamento básico entre as sete cidades do ABC, Santo André ocupa a 22ª posição no ranking das 100 maiores cidades do Brasil. No estado de São Paulo, o município já é o 10º melhor colocado.
Este cenário é impulsionado pelo programa Integra Tietê. Executado pela Sabesp, o projeto prevê um aporte superior a R$ 200 milhões em intervenções por toda a cidade, visando não apenas o fornecimento de água, mas a eficiência na coleta e tratamento de esgoto.
A fiscalização desse progresso técnico e ambiental fica a cargo do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André). O secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos, reforça o papel da autarquia nesse processo: “O Semasa é o guardião da política de saneamento municipal e acompanha as intervenções de perto, exercendo papel fundamental para monitorar o cumprimento das metas de universalização”.
A expectativa é que, com a manutenção do ritmo de investimentos, Santo André antecipe as metas do Marco Legal do Saneamento, garantindo dignidade e saúde pública para 100% de sua população urbana e periurbana.
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Odair Junior/ABC Agora | *com informações: PMSA
