| Redução de preços e acesso ampliado aos medicamentosPelos termos do acordo, os preços mensais de Wegovy e Zepbound, que anteriormente ultrapassavam US$ 1.000 nos Estados Unidos, poderão variar entre US$ 50 e US$ 350, a depender da cobertura do plano de saúde e da dosagem prescrita.Além disso, medicamentos orais da classe GLP-1, atualmente em desenvolvimento, deverão ser comercializados por até US$ 149 por mês após aprovação regulatória. A medida tem potencial para reduzir barreiras financeiras e ampliar o acesso a terapias que demonstraram eficácia não apenas na perda de peso, mas também no controle de parâmetros metabólicos associados à obesidade. O que são os medicamentos GLP-1 e por que ganharam protagonismoOs agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas passaram a ganhar destaque no tratamento da obesidade por atuarem no controle do apetite, na saciedade e na melhora do metabolismo da glicose. O uso dessas terapias, no entanto, exige acompanhamento médico e integração com mudanças no estilo de vida.”Os agonistas de GLP-1 representam uma ferramenta transformadora no tratamento da obesidade quando integrados a uma abordagem clínica ampla, que envolve alimentação adequada, atividade física, acompanhamento metabólico e avaliação individualizada,” afirma Dr. Adriano Faustino, médico nutrólogo, especialista em metabolismo e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO). A obesidade no Brasil: dados oficiais e cenário atualNo Brasil, a obesidade já é considerada um dos principais desafios de saúde pública. Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 60,3% da população adulta apresenta excesso de peso, e 25,9% é classificada como obesa, o que corresponde a mais de 41 milhões de adultos.Informações mais recentes do Vigitel 2023, sistema de vigilância do Ministério da Saúde, indicam que 61,4% dos adultos brasileiros estão acima do peso e 24,3% são obesos, confirmando a manutenção de patamares elevados ao longo dos últimos anos. Esse cenário está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e outras condições crônicas, além de gerar impacto direto nos custos e na demanda do Sistema Único de Saúde.”A obesidade no Brasil não é apenas um número estatístico; ela se traduz em custos reais para o sistema de saúde e em maior necessidade de acompanhamento contínuo,” destaca Dr. Faustino. Conexão internacional e reflexões para o BrasilA redução de preços nos Estados Unidos evidencia um movimento internacional em direção à ampliação do acesso a terapias eficazes contra a obesidade. Para especialistas, iniciativas desse tipo ajudam a impulsionar debates em outros países sobre políticas públicas, incorporação de novas tecnologias em saúde e estratégias sustentáveis de tratamento. |