Depois de quase três décadas de conversa e uma assinatura histórica no último sábado, o governo brasileiro decidiu que não vai ficar parado esperando a burocracia europeia. O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que o presidente Lula deve enviar, já nos próximos dias, o texto do acordo entre Mercosul e União Europeia para aprovação da Câmara dos Deputados.
A pressa tem motivo: o Parlamento Europeu decidiu, nesta quarta-feira (21), pedir um parecer jurídico sobre a legalidade do tratado. Na prática, isso poderia congelar o processo por até dois anos. Mas o Brasil quer o contrário. A ideia é que, se os países aprovarem o texto logo, o acordo possa entrar em vigor de forma provisória enquanto a justiça europeia discute os detalhes.
“Houve um percalço, mas vamos superá-lo”, afirmou Alckmin. O vice-presidente destacou que líderes importantes, como o chanceler alemão Friedrich Merz, também defendem que o comércio comece a fluir o quanto antes. “Quanto mais rápido agirmos, melhor, pois entendo que isto ajudará para que haja uma vigência transitória enquanto há a discussão na área judicial”, completou, reforçando que o foco é evitar atrasos.
A resistência europeia e o “lobby” contra o Brasil
Apesar do otimismo do governo, o caminho não é livre de obstáculos. O acordo precisa ser ratificado por 32 países. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, admitiu que o impasse gera apreensão, mas apontou o dedo para o protecionismo do outro lado do Atlântico.
“Entendemos que este é um bom acordo para os dois lados, mas que enfrenta muita resistência porque há, na Europa, um lobby muito grande contra os produtos brasileiros. Respeitamos as diferenças, mas fizemos nosso dever de casa e, agora, falta o Parlamento Europeu fazer o dele”, disparou Viana.
Para combater essa resistência, a Apex vai lançar uma ofensiva de comunicação na Europa para melhorar a imagem do Brasil e convencer a opinião pública de lá que o acordo é bom para todo mundo. “O que há, de fato, é uma disputa de narrativa”, concluiu o presidente da agência.
O que o Brasil ganha com isso?
Se o acordo sair do papel, o impacto no bolso do brasileiro e na indústria nacional é gigante. A estimativa é de um aumento de US$ 7 bilhões nas nossas exportações.
Os setores que mais devem comemorar são os de tecnologia e transporte. Máquinas, motores, autopeças e aeronaves teriam redução imediata de tarifas para entrar na Europa. Além disso, setores tradicionais como couro, pedras de cantaria e a indústria química ganhariam um fôlego inédito para competir no mercado global.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já sinalizou que a análise do projeto será prioridade absoluta assim que chegar ao Congresso.
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*Com informações: Agência Brasil
