A presença da arte e do riso tem transformado, mês após mês, a rotina da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro, em Diadema. O ambiente hospitalar, normalmente associado à tensão e à preocupação, ganha novos sentidos com a visita dos palhaços do Plantão da Bagunça/Instituto Nenex, ação realizada por meio de parceria entre a Prefeitura e a instituição social. A iniciativa tem como foco tornar o atendimento mais acolhedor, leve e humanizado para pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
>>mais notícias: Diadema
A atividade integra as estratégias de humanização da saúde adotadas pelo município e dialoga com práticas reconhecidas nacionalmente, que utilizam intervenções artísticas como ferramenta de cuidado emocional dentro de unidades de atendimento.
Palhaçaria transforma a experiência na UPA Centro de Diadema
Riso como aliado no cuidado com a saúde
Por onde passam, os palhaços doutores Dagoberto e Lilino despertam curiosidade e sorrisos. Para muitas crianças, a experiência é inédita. “Eu nunca tinha visto um palhaço no hospital. Foi legal”, contou Elisa Gabriele, de nove anos, que estava em observação na UPA.
A mãe da menina, Jeniffer Almeida da Silva, também aprovou a iniciativa e destacou o impacto positivo da ação. “Eu sou adulta e gostei também. Ajuda muito no tratamento. O ambiente hospitalar é um ambiente pesado e tanto quem está doente como quem está acompanhando fica tenso. Eles arrancam nosso sorriso, estimulam as crianças e trazem felicidade”, afirmou.
Diariamente, cerca de 300 crianças passam por atendimento na Unidade de Pronto Atendimento, o que reforça a importância de ações que contribuam para reduzir o medo, a ansiedade e o estresse durante a permanência no local.
Arte, improviso e empatia no ambiente hospitalar
Técnicas de palhaçaria e acolhimento emocional
Para Dr. Dagoberto, a palhaçaria vai além da fantasia e do entretenimento. Segundo ele, trata-se de uma arte que envolve criatividade, técnicas de interpretação, triangulação e improvisação, sempre respeitando o estado emocional de cada paciente.
“Chegamos aqui com o intuito de trazer alegria, fé e outras formas de amenizar a dor e melhorar a saúde dos pacientes, para que a pessoa tenha mais força em sua recuperação. Se você consegue rir, consegue sonhar e melhorar as coisas ao seu redor”, explicou.
Além do jaleco customizado e dos sapatos coloridos, a dupla utiliza itens como estetoscópio cenográfico, kit de mágica e instrumentos musicais, criando interações lúdicas que se adaptam a cada situação e faixa etária.

Crianças e famílias aprovam a iniciativa
Leveza em momentos delicados
A pequena Ana Clara, de seis anos, estava recebendo medicação intravenosa quando viu os palhaços circulando pelos corredores da UPA e pediu à mãe para chamá-los. Após a interação, foi direta ao resumir a experiência: “Eu gostei de tudo!”.
A mãe, Emely Aparecida dos Santos, também destacou o impacto da ação. “Traz mais leveza pro ambiente”, afirmou.
As visitas mensais ajudam a transformar momentos de fragilidade em experiências mais humanas, tanto para quem está em atendimento quanto para quem acompanha familiares.
Voluntariado e engajamento social
Como participar do projeto
Quem deseja atuar como voluntário na arte da palhaçaria hospitalar pode obter mais informações entrando em contato pelo e-mail nenex1@gmail.com. O trabalho voluntário é uma das bases da iniciativa e contribui para a continuidade das ações de humanização na rede municipal de saúde.
Humanização também no Hospital Municipal de Diadema
Palhaçaria voluntária no HMD
A pouco mais de quatro quilômetros da UPA Centro, o Hospital Municipal de Diadema (HMD) também recebe, mensalmente, ações semelhantes. No local, quem atua é o Grupo Palhaçaria/Rede NGInstitute Aliança da Paz, ligado à Igreja Comunidade Aliança da Paz, de São Bernardo do Campo.
Formada por palhaças voluntárias, a equipe percorre os corredores do hospital interagindo com pacientes, acompanhantes e funcionários, levando alegria e acolhimento em um ambiente que exige sensibilidade e empatia.
A gerente assistencial do HMD, Denise Pelegrin, ressaltou a importância dessas intervenções. “O cuidado com o paciente vai muito além da administração de medicamentos e protocolos clínicos. A nossa missão também é oferecer um atendimento acolhedor e humanizado, e é aqui que a palhaçaria e as intervenções artísticas se tornam fundamentais”, destacou.
Ela ainda completou: “Traz uma leveza essencial para o ambiente hospitalar. O riso tem um poder terapêutico comprovado: reduz o estresse, melhora o humor e fortalece o estado geral tanto de quem está internado quanto de seus acompanhantes e dos nossos funcionários, tornando o processo de recuperação e cuidar mais suave e acolhedor”.
Música também faz parte das ações de acolhimento
Saxofone leva conforto em datas especiais
Além da palhaçaria, o Hospital Municipal de Diadema também aposta na música como ferramenta de humanização. Na véspera das festas de fim de ano, o saxofonista Abraão Carlos Gomes realizou apresentações para pacientes e funcionários da unidade.
A ação integra o conjunto de iniciativas voltadas ao acolhimento de pessoas que precisam passar datas comemorativas no ambiente hospitalar. “A música do saxofone, flauta e violino que percorrem nossos corredores em dezembro, preenche o hospital com esperança e conforto. Para quem precisa passar o Natal ou o Ano Novo sob nossos cuidados, essas notas musicais e as visitas lúdicas tornam a atmosfera hospital familiar e são um lembrete de que, mesmo em um hospital, existe espaço para a alegria e para a vida em sua forma mais sensível”, finalizou Pelegrini.
_________
*Com informações: PMD
