O mercado financeiro brasileiro encerrou esta sexta-feira (23) com números históricos. Pela primeira vez desde a criação do índice, o Ibovespa, principal indicador da B3, ultrapassou a marca dos 180 mil pontos ao longo do pregão, sinalizando um momento de forte apetite por ativos brasileiros.
Apesar do recorde intradiário, o índice fechou o dia aos 178.858 pontos, com alta de 1,86%, consolidando uma valorização expressiva de 8,53% na semana. Trata-se do melhor desempenho semanal do Ibovespa desde abril de 2020, período marcado pela volatilidade extrema provocada pelo início da pandemia da Covid-19.
O avanço reflete uma combinação de fatores internos e externos que reforçaram o otimismo dos investidores e ampliaram o fluxo de recursos para a bolsa brasileira.
Entrada de capital estrangeiro impulsiona o mercado
Um dos principais motores da alta foi o forte ingresso de capital estrangeiro. Investidores internacionais vêm reduzindo a exposição ao mercado norte-americano e direcionando recursos para mercados emergentes, com destaque para o Brasil.
Somente em janeiro, a entrada líquida de recursos estrangeiros na B3 já soma R$ 12,35 bilhões, segundo dados do mercado. O movimento é explicado, em parte, pela atratividade dos juros elevados no Brasil e por uma percepção de melhora relativa nos ativos locais.
Esse fluxo tem sustentado a valorização de ações de peso no índice e ajudado o Ibovespa a renovar máximas históricas.
Petrobras reage a cenário geopolítico e puxa o índice
Outro fator relevante para o desempenho positivo do Ibovespa foi a alta das ações da Petrobras, que têm grande peso na composição do índice. Os papéis da estatal avançaram após o anúncio de novas sanções do governo de Donald Trump a empresas que transportam petróleo iraniano.
A medida aumentou a expectativa de restrição na oferta global de petróleo, pressionando os preços da commodity no mercado internacional. Com isso, empresas do setor de energia, especialmente a Petrobras, passaram a ser vistas como beneficiárias do cenário, o que reforçou a demanda por suas ações.
Juros elevados seguem atraindo investidores
No cenário doméstico, a manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano continua sendo um fator determinante para a atratividade dos ativos brasileiros. Os juros elevados favorecem estratégias de investimento voltadas à renda fixa, mas também estimulam a entrada de capital estrangeiro em busca de rentabilidade elevada com risco controlado.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a próxima semana, que pode trazer sinalizações importantes sobre os próximos passos da política monetária.
Dólar fecha estável e acumula queda no ano
Enquanto a bolsa avançou com força, o mercado de câmbio teve um dia de relativa estabilidade. O dólar comercial encerrou a sexta-feira cotado a R$ 5,28, com leve alta de 0,05%.
Apesar da oscilação pontual, a moeda norte-americana acumula queda de 1,61% na semana e desvalorização de 3,68% em 2026, atingindo os menores níveis desde novembro. O recuo reflete tanto o enfraquecimento global do dólar quanto o aumento do fluxo de recursos para o Brasil.
Bolsas de Nova York operam sem direção única
Nos Estados Unidos, o pregão foi marcado por cautela. Investidores optaram por realizar lucros após a redução das tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Europa, especialmente em torno da questão envolvendo a Groenlândia.
O índice Dow Jones caiu 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,03% e a Nasdaq subiu 0,28%, indicando um movimento lateral nos mercados norte-americanos.
Ibovespa – Volume financeiro elevado e realização de lucros no fim do pregão
Na B3, o volume financeiro negociado nesta sexta-feira atingiu R$ 35,9 bilhões, reforçando o forte interesse dos investidores. Analistas destacam, no entanto, que houve uma desaceleração do Ibovespa na última hora de negociação.
Após atingir a máxima de 180.532 pontos, o índice perdeu força com a venda de ações por investidores que optaram por realizar lucros acumulados ao longo da semana, movimento considerado natural após uma sequência intensa de altas.
