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    Início - Artigo - “Isto é um assalto: governança frágil, fiscalização insuficiente e controle interno deficientes – o caso Master”
    Artigo

    “Isto é um assalto: governança frágil, fiscalização insuficiente e controle interno deficientes – o caso Master”

    ABC AGORABy ABC AGORA25/01/2026Updated:25/01/20263 Mins Read
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    "Isto é um assalto: governança frágil, fiscalização insuficiente e controle interno deficientes - o caso Master"
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    Paulo Serra*

    O escândalo envolvendo o Banco Master, com liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, trouxe à tona um problema recorrente: a fragilidade dos mecanismos de controle, a opacidade em determinadas operações financeiras e a dificuldade histórica do Brasil em lidar com irregularidades de forma rápida, técnica e transparente.

    De acordo com as investigações em curso e informações já tornadas públicas, a suspeita recai em operações financeiras complexas, possíveis inconsistências contábeis, movimentações atípicas de recursos e indícios de práticas que podem ter violado normas do sistema financeiro nacional.

    As apurações buscam esclarecer se houve gestão temerária, omissões deliberadas, uso inadequado de instrumentos financeiros e eventual prejuízo a investidores, clientes ou ao próprio sistema bancário.

    Ocorrências desta natureza não surgem do nada. Elas costumam ser o resultado de falhas acumuladas: governança frágil, fiscalização insuficiente, estruturas de controle interno deficientes e, muitas vezes, uma cultura de tolerância com riscos excessivos e pouca transparência.

    O ponto central não é apenas o Banco Master, mas o que ele simboliza. Sempre que uma desordem financeira vem à tona, o impacto extrapola a instituição envolvida. A confiança no sistema como um todo é abalada, investidores ficam mais cautelosos, o crédito encarece e a Economia real, aquela que afeta empregos, empresas e famílias, acaba pagando a conta.

    Por isso, é fundamental que as investigações avancem com total independência e clareza. O papel do Banco Central e dos demais órgãos de controle é decisivo. A sociedade precisa saber o que e como aconteceu, quem são os responsáveis e quais medidas serão adotadas para evitar que situações semelhantes se repitam. Afinal, transparência não pode ser seletiva, muito menos condicionada a interesses políticos, partidários, pessoais ou financeiros.

    O Brasil não aguenta mais altercações. Não suporta mais a sensação de impunidade, nem a repetição de crises que poderiam ser evitadas com gestão profissional, fiscalização eficiente e regras claras. Cada nova celeuma reforça a percepção de que aprendemos pouco com os erros do passado – aliás, nem tão pretéritos, assim, convenhamos.

    Investigar “doa a quem doer” não é discurso radical – é obrigação republicana. Não se trata de condenar previamente, mas, sim, de apurar o caso Banco Master com seriedade, sem blindagens e sem conivência e conveniência. Só assim será possível reconstruir a confiança, fortalecer as instituições e mostrar que o País leva a sério a integridade do seu arranjo econômico.

    O caminho para o desenvolvimento do Brasil passa, necessariamente, por menos escândalos e mais gestão balizada em responsabilidade, ética e transparência. Esta nação precisa romper com o ciclo da crise permanente e avançar para uma cultura de prevenção, de controle e de respeito ao interesse público. Esse é, ao meu ver, o verdadeiro teste de maturidade institucional que o País precisa enfrentar, e agora!

    *Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.

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