O Sesc Santo André abre ao público, a partir de 29 de janeiro, a exposição Acervo de Histórias: Fazeres em Movimento, que reúne 44 obras relacionadas às atividades realizadas no Espaço de Tecnologias e Artes (ETA) da unidade ao longo de sua trajetória. Desenvolvidos por artistas que ministraram oficinas, cursos e ações formativas, os trabalhos revelam a importância do ETA como um espaço de criação contínua, marcado pela experimentação coletiva, onde práticas manuais e tecnologias digitais se cruzam.
Com curadoria de Camila Alcântara, Acervo de Histórias dá visibilidade a trabalhos criados por 35 artistas, artesãos e arte-educadores. O percurso expositivo é organizado em nove núcleos, que se articulam de forma não linear – a mostra reúne obras que abordam questões ligadas à afirmação de identidades, à relação com a matéria e o ambiente, à memória construída por meio do gesto, ao brincar como linguagem criativa e à invenção de universos ficcionais. Esses núcleos funcionam como zonas de aproximação, permitindo leituras cruzadas entre trabalhos de naturezas distintas.
O público pode transitar entre experiências sensoriais, visuais e narrativas, descobrindo trabalhos que exigem aproximação física, outros que se revelam pelo som, pelo gesto ou pelo tempo de observação, criando um ambiente em que a diversidade de práticas se organiza mais pela convivência do que pela separação de linguagens.
“Oásis”, obra de Áriadine. Foto: Fábio Justino |
Entre os exemplos apresentados estão peças interativas que convidam à manipulação, à escuta, experimentações em madeira e cerâmica desenvolvidas a partir de práticas coletivas, além de obras que incorporam recursos de fabricação digital e eletrônica. Há também produções que partem de gestos simples do cotidiano, revelando como diferentes experiências podem dar origem a formas diversas de criação.
Desde sua concepção, a exposição foi pensada para ampliar as formas de acesso. Todos os núcleos incluem ao menos uma obra com recursos de acessibilidade, e os textos de parede foram desenvolvidos em versões curtas, com leitura em braile. Há ainda conteúdos audiovisuais com tradução em Libras e legendas, permitindo diferentes modos de aproximação com as obras.
Para Camila Alcântara, a curadoria parte da ideia de que a exposição está em permanente construção. “O interesse não está apenas nas obras finalizadas, mas nos caminhos que levaram até elas. Os trabalhos reúnem processos que continuam produzindo sentido quando observados lado a lado, em diálogo”, afirma. A curadora destaca ainda que a mostra evita leituras centradas em individualidades. “São trabalhos muito diferentes entre si, mas que ganham força quando vistos em conjunto, pelas aproximações e tensões que se estabelecem no espaço expositivo.”
A partir de diferentes percursos de aprendizagem, as obras revelam experiências construídas ao longo do tempo, em práticas compartilhadas, e ajudam a compreender a criação artística como algo que se desenvolve em diálogo. Ao aproximar práticas manuais e recursos digitais, materiais concretos e interfaces intangíveis, a exposição mostra que tentar, errar e descobrir também faz parte da experiência estética e da produção de conhecimento.
Registro fotográfico do mural “Memórias Africanas”, pintado pelo artista Rhay no ETA. Foto: Tamara dos Santos |
Acervo de Histórias: Fazeres em Movimento é acompanhada por uma programação educativa que amplia a experiência do público. Mediações culturais e oficinas propostas ao longo do período expositivo dialogam diretamente com a proposta da mostra, com possibilidade de agendamento de visitas mediadas para grupos. Atividades como macramê, bordado livre, papercutting e desenho autoral aproximam os visitantes dos processos criativos e reforçam a arte como prática relacional e acessível.
Lugar de experimentação criativa
O Espaço de Tecnologias e Artes (ETA) integra um programa do Sesc São Paulo que conta com uma sala equipada e uma equipe que orienta atividades educativas nos universos das artes visuais e das tecnologias – digitais, analógicas, sociais e ancestrais. Além disso, os espaços possuem equipamentos para o uso experimental durante atividades didáticas em diversas linguagens: computadores, mesas digitalizadoras e tablets; máquinas de costura, materiais para desenho, pintura, ferramentas para práticas de gravura, cerâmica e escultura; instrumentos para marcenaria e técnicas construtivas em geral, incluindo máquinas de fabricação digital, como impressora 3D, cortadora a laser e CNC; há, ainda, componentes relacionados à eletrônica e hardware, como Arduino e Raspberry Pi.
Artistas participantes
A exposição reúne obras de 35 artistas, artesãos e arte-educadores que participaram de atividades desenvolvidas no Espaço de Tecnologias e Artes (ETA) do Sesc Santo André ao longo de sua trajetória.
Relação de artistas em ordem alfabética: Alexandro Marques (Santo André), Aline Santos (São Paulo), Almazzen Terrários (São Caetano do Sul), Ariádine (São Paulo), Carmem Garrido (São Paulo), Claudio Baccaro (São Caetano do Sul), Cristina Suzuki (Santo André), daSilva (São Paulo), Eddie (Carapicuíba), Edvania Rêgo (Santo André), Fabiano A. (São Paulo), Fausto Couros (Olinda), Francisco Bianchi (França), GamaH (São Paulo), Guta Moraes (Taboão da Serra), Ing Lee (São Paulo), Julian Campos (São Vicente), Lila Cruz (Santo André), Luiza Lemos (Paraty), Luíza Marcon (Santo André), Márcio Moreno (Santo André), Mariana Lucio (Santos), Marília Marz (São Paulo), Marino Montanari Bedin (Santo André), Mestre Afonso Menino (Sapucaí Mirim), Michele Ito (Santo André), Monica Marques (Piracaia), Nise/ Letras da Nise (São Sebastião), Paulo Nenflidio (São Bernardo do Campo), Pretta Bijoux (Diadema), Rafa da Rabeca (São Paulo), RHAY (Mauá), Rinaldo Ferrucio (São Paulo) e Tamara dos Santos (Mauá).
SERVIÇO
Acervo de Histórias: Fazeres em Movimento
De 29/1 a 19/6, de terça a sexta, das 10h às 21h30
De 31/1 a 21/6, sábados e domingos, das 10h às 18h30
Galeria de Artes – Sesc Santo André
Classificação livre
Entrada gratuita – sem retirada de ingressos

