O motor da economia brasileira continuou ligado em 2025, mas em uma marcha visivelmente mais lenta. O Monitor do PIB, divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Ibre/FGV, estima que o país cresceu 2,2% no ano passado. Embora seja o quinto ano consecutivo de alta, o número mostra um “cansaço” quando comparado aos 3,4% registrados em 2024.
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O cenário é de contrastes: batemos recordes históricos em valores absolutos, mas terminamos o ano com o crescimento estacionado em 0% no último trimestre.
Os Números que Impressionam (e os que Preocupam)
Mesmo com o pé no freio no fim do ano, o Brasil atingiu marcas inéditas na série histórica:
- PIB Nominal: R$ 12,63 trilhões (o maior valor já registrado).
- PIB per capita: R$ 59.182 por brasileiro.
- Investimentos: A taxa de investimento fechou em 17,1%, o melhor patamar em três anos.
Por outro lado, o consumo das famílias, que é o grande motor do nosso mercado interno, cresceu apenas 1,5%, refletindo o peso do crédito mais caro no bolso do trabalhador.
O “Vilão” da Vez: Juros e o Cenário Externo
De acordo com a economista Juliana Trece, da FGV, dois fatores principais “cortaram o barato” da economia em 2025:
- A Selic nas Alturas: Para tentar segurar a inflação (que passou quase o ano todo acima da meta), o Banco Central elevou a taxa de juros básica de 10,5% para 15%. Juro alto é remédio amargo: controla os preços, mas encarece o financiamento e desestimula o consumo.
- O “Efeito Trump”: O tarifaço imposto pelo governo americano a partir de agosto de 2025 atingiu 22% das nossas exportações para os EUA. O impacto só não foi maior porque a Suprema Corte americana derrubou essa política tarifária justamente nesta sexta-feira (20).
Ponto Positivo: Curiosamente, mesmo com a economia perdendo força, o Brasil fechou 2025 com o menor desemprego da história, segundo o IBGE. É o brasileiro mostrando resiliência diante das dificuldades.
O que vem por aí?
O dado da FGV é um termômetro importante, mas a palavra final cabe ao IBGE, que divulga o resultado oficial do PIB no dia 3 de março. Até lá, o mercado trabalha com a média entre os 2,2% da FGV e os 2,5% apontados pelo Banco Central (IBC-Br) na última quarta-feira.
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Fonte: Agência Brasil

