O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua visita oficial à Índia neste domingo (22) com um discurso de otimismo e foco total na expansão comercial. Antes de embarcar para a Coreia do Sul, Lula destacou que o Brasil vive um momento de “credibilidade internacional” e projetou metas ambiciosas para as trocas entre os dois países.
“Não temos preferência comercial, temos interesses comerciais”, afirmou o presidente, reforçando que o país busca parcerias no modelo “ganha-ganha”.
Metas de Bilhões: Brasil e Índia mais próximos
A relação entre Brasília e Nova Délhi nunca esteve tão aquecida. Após o fluxo bilateral bater o recorde de US$ 15 bilhões em 2025, Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi selaram um pacto para dobrar esse valor.
- A meta de Modi: US$ 20 bilhões até 2030.
- A contraproposta de Lula: US$ 30 bilhões no mesmo período.
- Crescimento real: O comércio exterior brasileiro saltou de US$ 100 bilhões há duas décadas para os atuais US$ 649 bilhões, com o objetivo de chegar ao trilhão de dólares.
Acordos e Prateleiras Cheias
A missão não ficou apenas no papel. O ministro Mauro Vieira confirmou a assinatura de 11 acordos governamentais, cobrindo áreas estratégicas como Defesa, Saúde, Aeroespacial e Minerais Críticos.
Na prática, o brasileiro já começa a ver resultados nas gôndolas indianas. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, revelou que produtos como castanha, açaí e limão já estão chegando à maior rede de supermercados de Nova Délhi e, a partir desta segunda, desembarcam em Mumbai. Outra novidade aguardada é a criação de um voo direto entre a Índia e o Brasil.
Geopolítica: Trump, ONU e BRICS
Lula também comentou temas quentes da política global durante a coletiva:
- Relação com Donald Trump: O presidente minimizou atritos e disse querer uma conversa “civilizada e respeitosa” com o líder americano. Sobre a derrubada das tarifas pela Suprema Corte dos EUA, Lula classificou como um “alívio” a redução das taxas de 50% para 15%.
- Reforma da ONU: Lula voltou a cobrar mudanças no Conselho de Segurança, questionando a ausência de países como Brasil, Índia, Alemanha e nações africanas. “Do jeito que está, a ONU tem pouquíssima eficácia”, disparou.
- BRICS: Para o presidente, o bloco é a ferramenta para equilibrar a geopolítica mundial e dar voz ao “Sul Global”.
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*Com informações: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

