O mercado financeiro global enfrentou uma terça-feira (3) marcada pelo pânico e pela forte aversão ao risco. A intensificação das hostilidades envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma fuga em massa de investidores de mercados emergentes. No Brasil, o reflexo foi imediato: o dólar registrou forte alta e o Ibovespa anotou o seu recuo mais acentuado desde o início de 2026.
Após chegar a ser negociado na casa dos R$ 5,31 durante o pico de tensão no pregão, o dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 5,26. O movimento reflete o nervosismo global e a busca por ativos de proteção. Durante o dia, o Banco Central chegou a anunciar leilões de linha de US$ 4 bilhões para tentar conter a volatilidade, mas cancelou as operações minutos depois. A autoridade monetária alegou um “erro de teste interno”, o que acabou gerando ainda mais incerteza entre os operadores.
O “Gargalo de Ormuz” e a Crise Energética
O principal combustível para o pessimismo dos investidores foi o anúncio do Irã sobre o possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Com a suspensão da produção de gás natural liquefeito pelo Catar, o temor de um choque energético global fez as commodities dispararem nas bolsas de Londres e Nova York:
- Petróleo Brent: Subiu 4%, fechando em US$ 81 (com pico de 10% de valorização na abertura);
- Gás Natural (Europa): Saltou 22% em um único dia.
Essa pressão inflacionária global força o capital a migrar para moedas seguras, prejudicando bolsas na Ásia, Europa e, principalmente, no Brasil.
Ibovespa recua para os 183 mil pontos
Na B3, o impacto foi severo. O índice Ibovespa fechou em queda de 3,27%, aos 183.104 pontos. O recuo foi quase generalizado entre as ações que compõem o índice, levando o indicador ao seu menor patamar desde fevereiro e apagando os recordes registrados no final do mês passado.
Cenário Interno: Desaceleração do PIB e a Taxa Selic
No cenário doméstico, os dados do IBGE também trouxeram cautela. O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, número que, embora dentro das metas, mostra uma desaceleração clara frente aos 3,4% de 2024. O desempenho do quarto trimestre, com alta de apenas 0,1%, sinalizou que a economia perdeu fôlego na virada do ano.
Este quadro de economia mais lenta, somado à pressão vinda do dólar e do petróleo, altera as projeções para a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve ser mais conservador na próxima reunião:
“A expectativa de redução de 0,5 ponto percentual foi substituída por uma projeção de apenas 0,25 ponto, visando segurar a cotação do dólar e conter o repique inflacionário”, avaliam analistas do setor.
