O cenário da saúde pública brasileira deu um passo decisivo rumo à independência tecnológica nesta terça-feira (3). O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpriu agenda em Valinhos (SP) para visitar as instalações da Bionovis. A empresa é a peça-chave na produção de medicamentos biológicos de alta complexidade, essenciais para o tratamento de câncer e doenças raras no país.
A visita celebra os resultados das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). Desde 2023, o Ministério da Saúde já injetou mais de R$ 5,6 bilhões nessas colaborações, que envolvem laboratórios públicos e privados. O objetivo é claro: garantir que o brasileiro não dependa de importações para tratamentos vitais.

“Criamos o SUS para atender a todos. Esse investimento garante a assistência aos pacientes com medicamentos produzidos aqui, no Brasil. Significa soberania na saúde e na tecnologia. Significa que o nosso país passa a ter a capacidade de fabricar algo que apenas quatro países no mundo produzem”, declarou o presidente Lula durante a vistoria.
Tecnologia de ponta no interior de São Paulo
A planta industrial em Valinhos não é apenas uma fábrica comum; ela integra 13 PDPs que já colocaram mais de 8,4 milhões de unidades de medicamentos nas prateleiras do Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia do governo é fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde para baratear custos e ampliar o acesso.
Atualmente, a rede pública já recebe fármacos produzidos por meio dessas parcerias para condições severas, como:
- Doenças Autoimunes: Artrite reumatoide, esclerose múltipla e doença de Crohn (medicamentos como adalimumabe e infliximabe).
- Oncologia: Tratamentos contra o câncer com o uso de trastuzumabe e rituximabe.
O ministro Alexandre Padilha reforçou que a existência da fábrica está diretamente ligada à sustentabilidade do sistema público. “Essa fábrica surge e cresce cada vez mais em função do SUS. Com esse trabalho, a população poderá ter acesso a medicamentos modernos, com mais economia para o SUS, menos internações e menos riscos de morte”, pontuou.
O fim da dependência externa: O Insumo Nacional (IFA)
Um dos grandes gargalos do Brasil sempre foi a importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) — a “alma” do remédio. No entanto, esse cenário está mudando. No ano passado, a Anvisa deu luz verde para que a Bionovis produza o IFA do infliximabe em solo nacional.
Isso significa que o ciclo de produção será 100% brasileiro. Para viabilizar esse salto, em 2025, o BNDES aprovou um financiamento de R$ 650 milhões para a empresa. O recurso permitiu a instalação de uma linha de produção pioneira, capaz de fabricar até 250 kg de proteínas biológicas e incríveis 19 milhões de frascos e seringas por ano.
Benefícios diretos para o paciente
A internalização da tecnologia não é apenas um termo técnico; ela reflete na ponta, para quem espera pelo remédio no posto ou hospital. Com a produção local, o Brasil reduz sua vulnerabilidade a crises internacionais de abastecimento e variações do dólar, garantindo que o tratamento não seja interrompido.
A última etapa das parcerias prevê a transferência total do conhecimento para os laboratórios públicos brasileiros, consolidando uma indústria sólida e capaz de atender os 212 milhões de cidadãos com “dignidade e respeito”, como reiterou o presidente.
