O que você faria se, após 13 anos de união, descobrisse que o apartamento que ajudou a pagar não tem o seu nome na escritura? Foi exatamente isso que aconteceu com a professora Daniela Aparecida Gomes dos Santos. Mesmo sendo formada em administração e matemática, ela sentiu na pele o peso da violência patrimonial. Hoje, ela usa essa vivência para garantir que suas alunas na Escola Estadual Diplomata Sérgio Vieira de Mello, em São Bernardo, não passem pelo mesmo.
A disciplina eletiva “Protagonismo feminino na educação financeira e empreendedorismo” surgiu como um alerta. O foco vai além de poupar dinheiro: o objetivo é dar consciência sobre direitos e proteção contra a violência financeira, uma das faces da Lei Maria da Penha que muitas vezes passa despercebida.

“Seguro para relacionamentos”
Daniela faz uma comparação direta com situações do dia a dia. “A gente faz o seguro do carro, mas não quer ser assaltado. As mulheres precisam criar meios para se resguardar caso os relacionamentos se encerrem”, explica. Na aula, as alunas aprendem que o conhecimento técnico e jurídico é a melhor ferramenta para a autonomia.
LEIA TAMBÉM: São Bernardo convoca aprovados em concurso de 2022 e reforça quadro de pessoal da Educação
Para as estudantes, como Agata Alves, de 14 anos, o conteúdo é um choque de realidade necessário. “Ela ensina coisas que ninguém nunca chegou em mim e ensinou, para eu pensar quando eu crescer”, revela a aluna do 1º ano do Ensino Médio.
Dinheiro em pauta na rede estadual
A iniciativa da professora Daniela aproveita a estrutura das escolas de ensino integral da Seduc-SP, onde os alunos escolhem temas de interesse a cada semestre. O conteúdo conversa diretamente com a disciplina fixa de Educação Financeira, implantada na grade oficial em 2024 para mais de 1 milhão de estudantes.
As aulas em São Bernardo acontecem todas as terças-feiras, e o impacto vai além dos números. “Falar de dinheiro é complicado quando a ausência dele é muito presente. Plantar essa sementinha traz autonomia econômica para eles decidirem sobre o futuro”, conclui Daniela.

