A música brasileira amanheceu em silêncio neste domingo (8). Morreu em São Paulo, aos 58 anos, o cantor, compositor e pesquisador Marcelo Pretto. Conhecido carinhosamente como “Mitsu”, ele era uma das figuras centrais do renomado grupo de percussão corporal Barbatuques e um dos maiores estudiosos das nossas manifestações populares.
Marcelo estava internado no Hospital Alvorada, em Moema, desde o dia 18 de fevereiro. Ele enfrentava complicações graves decorrentes da diabetes, quadro que se agravou no último ano. Segundo informações médicas, o artista chegou a sofrer uma parada cardíaca e infecções durante a última internação, permanecendo sedado até a madrugada de hoje.
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“Uma fonte de inspiração”
A confirmação da morte veio através de uma nota emocionante do Núcleo Barbatuques, grupo que Marcelo integrava desde 1999. O coletivo destacou que a contribuição de Mitsu vai muito além dos palcos:
“Marcelo deixa um legado artístico imenso, que vai muito além de sua participação no Barbatuques. Pesquisador da música e das manifestações culturais populares da música brasileira, Mitsu foi uma fonte de inspiração para nós. Sua voz única e presença marcante seguirão ecoando na música e, principalmente, em nossos corações. Vai em paz, querido Mitsu!”
Trajetória e raízes
Nascido em 1967, Marcelo Neves Pretto foi um operário da arte. Além do Barbatuques, ele era peça-chave no grupo A Barca, dedicado a mapear e registrar a música tradicional do Brasil profundo. Ao longo de sua jornada, emprestou seu talento para mais de 50 discos e lançou trabalhos autorais elogiados, como “A carne das canções” (2014) e “Boi” (2020).
Mitsu era um mestre em unir o canto a recursos rústicos e modernos, como o berimbau de boca, pedais de loop e a própria percussão do corpo, transformando cada performance em um rito de celebração à cultura brasileira. Sua partida deixa um vazio imenso na pesquisa musical e na vanguarda do som feito com o corpo e a alma.
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Por: Odair Junior/ABC Agora

