O Grande ABC enfrenta um desafio silencioso, mas de proporções gigantescas: cerca de 700 mil moradores com 18 anos ou mais ainda não concluíram a educação básica. O dado consta em uma nota técnica lançada nesta segunda-feira (9/3) pelo Consórcio Intermunicipal Grande ABC, por meio de seu Observatório de Políticas Educacionais.
O estudo, elaborado ao longo de 2025 com dados do IBGE e Inep, revela um cenário contraditório. Embora a região tenha baixos índices de analfabetismo absoluto, a oferta de vagas para quem precisa terminar os estudos (EJA) está em queda livre. Na última década (2014-2024), o número de matrículas despencou 56,2% nas sete cidades.
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Demanda reprimida e recuo do Estado
Atualmente, a rede de ensino do ABC atende apenas 1,7% da demanda potencial. Em 2024, foram registradas apenas 12 mil matrículas, um número irrisório perto do contingente de pessoas que poderiam ser beneficiadas.

A pesquisa, apresentada pela professora Maria Clara Di Pierro (UFABC), aponta que essa redução foi mais agressiva na rede estadual, que fechou turmas e transferiu a responsabilidade para os municípios, que nem sempre conseguem absorver o volume de alunos.
Metas em risco
O diagnóstico indica que as metas dos Planos Municipais de Educação (PMEs) dificilmente serão alcançadas no período de vigência atual. “Fortalecer a EJA significa ampliar oportunidades de inclusão social e qualificação profissional”, ressaltou o secretário-executivo do Consórcio ABC, Aroaldo Silva.
Para subsidiar novas políticas, o evento também lançou um painel de dados detalhado, permitindo que gestores e a sociedade civil acompanhem a evolução das turmas e escolas em cada uma das sete cidades.

