O combate e conscientização acerca do feminicídio no Brasil ganha um importante aliado a partir do lançamento, nesta segunda-feira (09), do ‘Movimento Justiça por Elas’, um abaixo-assinado que coletará 100 mil assinaturas com o objetivo de conscientizar, prevenir e combater crimes de feminicídio no País. Para participar, basta acessar o link (CLIQUE AQUI) e se juntar às milhares de pessoas no combate a este crime que vem crescendo no Brasil.
A ação foi idealizada pela empresária e presidente da Associação Força e União das Mulheres (AFUM), Camila Cabral, e tem como principal embaixadora Mariza Nascimento Lima Alves, mãe de Mariane Lima Alves, de 27 anos, morta a tiros pelo ex-marido, em casa, após uma discussão no dia 17 de fevereiro, na cidade de São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC.
“É preciso exigir que as leis tenham efetividade e protejam as mulheres que são vítimas de violência doméstica. Com a punição adequada, a sensação de impunidade dará lugar às denúncias e à criminalização dos culpados, salvando a vida de milhares de mulheres em risco, que sofrem caladas e engrossam as trágicas estatísticas de crime de gênero, como é o caso da jovem Mariane e de tantas outras mulheres Brasil afora”, destaca Camila Cabral.
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Segundo Mariza, a adesão ao movimento é uma forma de evitar que outras mães passem pela dor do luto que ela própria enfrenta agora. “Peço que todas as mulheres, vítimas ou não deste ou de qualquer tipo de violência, se unam para que a justiça seja feita e os culpados sejam punidos no rigor da Lei. Só assim vamos evitar de assistir mais mortes cruéis como ocorreu com a minha filha”, reforça a mãe de Mariana, que também foi atingida no rosto por um dos disparos desferidos contra sua filha.
“É preciso combater a dor provocada pelas agressões, pelos homicídios, com coragem, para que as denúncias sejam feitas, para que os culpados sejam responsabilizados e punidos, para que as mulheres tenham proteção e dignidade e, sobretudo, para que nenhuma vida seja ceifada pelo simples fato de ser mulher”, enfatiza Camila.
O ato simbólico deve gerar impacto no Poder Público, a partir da mobilização social de homens e mulheres. “Vamos coletar o máximo de assinaturas para, depois, protocolar em Brasília. Com esta mobilização, pressionaremos os governos municipal, estadual e federal para que façam as leis serem cumpridas e para que aprovem projetos de leis que auxiliam no combate à violência doméstica e aos feminicídios”, sustenta a presidente da AFUM.
A iniciativa conta com a adesão de autoridades e personalidades que simpatizam com o tema e lutam pelo fim da impunidade e por mais respeito e tolerância. Nomes como Mona Guiselini, Kell Cesar, Daly Priscila, Dra. Fabiana Polis, Jacqueline Meirelles, Marília Miranda, entre outros, figuram no documento.
“Juntas somos mais fortes. Estamos iniciando uma ação inédita, com personagens reais, com dores que ainda estão latentes no coração dos familiares das milhares de vítimas em todo o Brasil, para que possamos mudar a história. Para que as leis sejam mais do que um compilado de restrições e sejam colocadas em prática, tirando da sociedade assassinos de mulheres e condenando-os rigorosamente pelos seus crimes”, assegura Camila Cabral.
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Texto: Fernanda Bertoncini

