A frieza de Luciano impressionou os investigadores. Seis dias após o crime, ele foi até a delegacia para denunciar o sumiço de Sabrina, afirmando que ela havia desaparecido no dia 6 de março. Para sustentar a mentira e tranquilizar a família, mensagens eram postadas no status do celular da jovem, dizendo que ela estava bem e no interior.
A polícia vai além e investiga uma suspeita perturbadora: Luciano teria utilizado inteligência artificial para simular a voz de Sabrina em áudios enviados a familiares. A estratégia servia para ganhar tempo e evitar que buscas reais começassem imediatamente. No entanto, a pressão do cerco policial surtiu efeito, e ele acabou confessando que o corpo estava em uma área de mata próxima à Represa Billings, no Riacho Grande.
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O motivo: A recusa em reatar
O casal esteve junto por 12 anos e tinha dois filhos pequenos, de 2 e 4 anos. Sabrina tentava seguir a vida após a separação ocorrida há um mês, mas Luciano não aceitava o término. Em depoimento, ele confirmou que matou a ex-companheira porque ela se recusava a reatar o casamento. Agora, as duas crianças ficam sem a mãe, vítimas colaterais de um crime que destrói gerações.
O retrato do perigo em SP
O assassinato de Sabrina não é um fato isolado. Os dados são assustadores:
- Recorde macabro: Em 2025, São Paulo registrou o maior número de feminicídios da história (270 casos), uma alta de 6,7% em relação ao ano anterior.
- Janeiro sangrento: O início de 2026 seguiu a tendência trágica, com quase uma mulher morta por dia no estado.
- Medidas protetivas: O caso acende o alerta sobre a eficácia da Justiça. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 21,7% das vítimas em São Paulo tinham medida protetiva e, ainda assim, foram mortas.
Luciano de Souza está preso temporariamente e responderá por feminicídio e ocultação de cadáver.
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Odair Junior/ ABC Agora | *Com informações: Agência Brasil

