Quem passa pela Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, na altura da Vila Luzita, já percebeu: a correria das máquinas deu lugar a uma estrutura mais robusta. O Semasa finalizou a contenção de um trecho crítico do Córrego Guarará, bem ali perto do estacionamento da Coop.
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O que muda na sua vida? Basicamente, o risco do asfalto “derreter” ou ceder sob as rodas dos carros diminuiu drasticamente. A obra foca em um ponto onde a força da água do afluente Pinheirinho batia direto no muro, causando erosões que ameaçavam a pista sentido Centro.

Por que o concreto projetado é aposta da vez?
Desta vez, a engenharia foi além do básico. O novo muro de gabião recebeu uma camada de concreto projetado. Na prática, isso cria uma armadura que aguenta o tranco das tempestades sem deixar a terra escapar por baixo da avenida.
O investimento não foi baixo: R$ 1 milhão para garantir que a estrutura não incline ou desabe. Segundo Edinilson Ferreira dos Santos, secretário de Meio Ambiente e chefe do Semasa, a pressa era evitar o pior.
“Antes que a situação piorasse, colocando em risco a vida dos condutores, foi feita uma nova contenção, mas com concreto projeto, o que traz mais durabilidade”, explicou o secretário.
O “X” da questão: Por que a Vila América alaga?
Não adianta apenas segurar a margem do rio se a água não tem para onde ir. Por isso, o foco agora se volta para a Vila América e Vila Pires. O plano é transformar a região em uma “esponja” urbana.
Os números da transformação na Vila América:
- Capacidade de bombeamento: Vai saltar de 492 para 2 mil litros por segundo.
- Tempo de esvaziamento: O que levava 6 longas horas para secar, agora deve levar apenas 40 minutos.
- Equipamento: Cinco novas tubulações e um conjunto moderno de motobombas estão sendo instalados.
Vila Pires ganha 7 “piscininhas” estratégicas
Além da modernização das bombas, a Secretaria de Infraestrutura está espalhando sete microrreservatórios pelas ruas da Vila Pires. Juntos, esses equipamentos conseguem segurar quase 5 mil m³ de água.
A lógica é simples: em vez de toda a chuva cair de uma vez no Guarará e fazê-lo transbordar, esses tanques subterrâneos seguram o volume e liberam aos poucos. Com essas novas unidades, a região passará a contar com 14 reservatórios trabalhando em conjunto.
De onde vem o dinheiro?
Todo esse movimento faz parte do programa Sanear Santo André. O projeto é ambicioso e conta com um financiamento internacional de US$ 50 milhões (via CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe).
Ao todo, somando os novos reservatórios da Vila Pires, o investimento passa dos R$ 26 milhões. Para o morador do ABC, a expectativa é que o trajeto diário pela Capitão Mário Toledo deixe de ser uma loteria em dias de céu carregado.

