Dor não é normal. Este foi o tema da ação realizada pelo Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) de São Caetano do Sul para conscientizar sobre a endometriose. Nesta quinta-feira (19/3), a unidade foi decorada de amarelo, cor que remete à causa e que foi vestida pelas profissionais do espaço.
A endometriose é uma condição em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, causando inflamação e dor intensa, inclusive incapacitante. Pode afetar ovários, trompas e outros órgãos.
“Muitas mulheres acabam normalizando essa dor e, quando fazem isso, não se dão conta de que estão perdendo qualidade de vida. Por isso, o nosso alerta: Dor não é normal”, enfatizou a responsável técnica do Caism, Bruna Nakauchi.
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Durante a ação, foram distribuídos folhetos com informações sobre a endometriose durante as abordagens das profissionais junto às pacientes que aguardavam por consultas e exames.
“Sofri muito tempo sem saber que tinha essa enfermidade. Foram 10 anos com dores muito fortes, cólicas muito intensas, chegando a ficar acamada. E muito sangramento, a ponto de achar que estava com hemorragia”, relatou Katia Pereira, de 46 anos.
Foi após a realização de um ultrassom transvaginal que a moradora do Bairro São José recebeu o diagnóstico e começou a fazer o acompanhamento no Caism. Em junho de 2025, realizou cirurgia para a remoção dos ovários. “Foi a melhor coisa que fiz na vida. Antes tinha TPM intensa, ficava mal-humorada pelas dores e acabava atingindo pessoas que amo por conta disso. Agora não tenho mais nenhuma dor. Estou amando a minha nova versão.”
Jéssica Cristina Albino Silva, de 33 anos, nutre a expectativa pela melhora da qualidade de vida. A moradora do Bairro Oswaldo Cruz esteve no Caism com os exames pré-operatórios em mãos para marcar a data da cirurgia.
“Sentia dor aqui e ali e achava que era uma cólica normal, que tomando um remédio iria resolver. As dores se intensificaram e num primeiro momento achava que era coisa da minha cabeça. Até que pensei: ‘Isso não pode ser normal’. Procurei um médico, fiz exames e recebi o diagnóstico de endometriose, iniciando o acompanhamento imediatamente”, afirmou a gerente financeira.
“Às vezes surgem pensamentos um pouco machistas de normalizar a dor da mulher, mas não é normal ficar indisposta. Temos que procurar um médico e iniciarmos um tratamento adequado. Sentir dor não é normal”, reforçou Jéssica.
A cirurgia não é o único tratamento para pacientes com endometriose. Há alternativas mais conservadoras, como o uso de medicamentos hormonais e para controle da dor, dependendo de cada caso.
Em São Caetano, as cirurgias são realizadas no Hospital Municipal Maria Braido. O tempo de espera, que era de 3 meses, caiu em 1 mês com a contratação de novos cirurgiões e a abertura de um novo período para a realização do procedimento.
SINAIS DE ALERTA – Endometriose
Sintomas indicativos de endometriose incluem cólicas menstruais muito fortes, dor durante ou após relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar, sangramento intenso ou irregular, inchaço abdominal frequente e dificuldade para engravidar. Percebendo um ou mais destes sinais, as mulheres devem procurar ajuda médica.
Em São Caetano, o primeiro atendimento é feito pelo ginecologista da UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima da residência da paciente, que pode encaminhar para o Caism para melhor acompanhamento. “Não temos fila para consultas. Tendo o encaminhamento, a paciente passa com o médico em poucos dias”, finalizou Bruna Nakauchi.
Mark Ribeiro/PMSCS

