A queda da patente Ozempic é oficial a partir desta sexta-feira (20) e a semaglutida não é mais exclusividade da Novo Nordisk no Brasil. O impacto disso é direto no bolso: o caminho está livre para que outras farmacêuticas fabriquem suas próprias versões da famosa “caneta emagrecedora”.
Para quem vive no Grande ABC, onde o custo de vida não dá trégua, a notícia soa como um alívio financeiro esperado. Mas calma, não é um “liberou geral” imediato. A queda da patente é o primeiro dominó de uma fila que ainda precisa passar pelo crivo rigoroso da Anvisa.
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A batalha judicial que a gigante perdeu
A Novo Nordisk tentou de tudo. A fabricante buscou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma forma de esticar o prazo de exclusividade. O argumento era compensar a demora na análise da patente anos atrás.
Porém, a justiça brasileira seguiu o entendimento do STF: patente de invenção dura exatamente 20 anos a partir do depósito. Nem um dia a mais. Com o “não” dos ministros, o mercado brasileiro se tornou, hoje, o novo eldorado das farmacêuticas.
17 novos nomes na fila: Quando chegam às farmácias?
Se você esperava encontrar uma versão barata na farmácia da esquina hoje à tarde, vai precisar de um pouco mais de paciência. Atualmente, a Anvisa trabalha com 17 processos de registro. O cenário é de uma verdadeira maratona técnica:
- 8 processos em análise: Devem ter uma resposta (sim ou não) até o final de abril de 2026.
- 2 pedidos travados: As empresas precisam enviar mais dados até junho.
- 9 produtos na fila de espera: Aguardando o início da conferência dos papéis.
Isso significa que, se tudo correr bem, os primeiros concorrentes reais devem dar as caras nas prateleiras ainda neste primeiro semestre de 2026.
Esqueça o termo “Genérico”: O desafio é biológico
Diferente de uma dipirona, que qualquer laboratório faz a cópia exata, a semaglutida é uma molécula complexa, extraída de organismos vivos. Por isso, a Anvisa explica que não teremos um “genérico” propriamente dito, mas sim biossimilares ou análogos sintéticos.
O grande nó está nos sintéticos. “Até o momento, nenhuma das principais agências do mundo, como as dos EUA (FDA) ou Europa (EMA), registrou análogos sintéticos da semaglutida”, alerta a agência brasileira. O Brasil pode ser pioneiro, mas a cautela é total para evitar que o remédio perca o efeito ou cause alergias graves.
O risco da “cópia mal feita”
A pressa para baratear o remédio esbarra no medo da imunogenicidade. Se o novo medicamento não for idêntico na forma como age, o corpo do paciente pode criar anticorpos contra ele.
O resultado? Além de não emagrecer ou não controlar o açúcar no sangue, o paciente pode se tornar resistente a qualquer tratamento futuro com semaglutida. É por isso que a Anvisa não vai liberar qualquer “caneta” sem provas rigorosas de que ela é tão segura quanto a original.
Tabela: O Raio-X da Concorrência na Anvisa
| Tipo de Produto | Em análise técnica | Aguardando empresa | Aguardando início |
| Análogo Sintético | 5 | 2 | 8 |
| Biológico | 0 | 1 | 1 |
O que o consumidor deve fazer agora?
Por enquanto, a recomendação dos médicos é manter o tratamento atual. A queda da patente é uma vitória para o bolso no médio prazo, pois a concorrência naturalmente empurra os preços para baixo. A expectativa do mercado é que, com a entrada de novos players, o valor das canetas possa recuar significativamente até o final do ano.
Até lá, fique de olho em promessas milagrosas na internet. Remédio seguro é aquele que tem o número de registro da Anvisa na caixa e é vendido em farmácias estabelecidas.

