A queda da patente Ozempic não é a única notícia econômica a mexer com o bolso do brasileiro nesta sexta-feira (20). O coração industrial do Grande ABC acaba de receber um “oxigênio” vital para sua sobrevivência e expansão. O presidente Lula sancionou a ampliação do Reiq (Regime Especial de Tributação para a Indústria Química), uma medida estratégica que atinge em cheio o Polo Petroquímico de Santo André e Mauá. Na prática, a nova Lei Complementar 228/2026 corta mais de 60% das alíquotas de PIS/Cofins sobre os insumos usados pelas fábricas.
Para a nossa região, que respira fumaça de progresso há décadas, o anúncio não é apenas um “número frio” vindo de Brasília. O Polo do ABC é um dos pilares da economia paulista, e o barateamento da matéria-prima é o que garante que as empresas locais consigam competir com o produto importado da China ou dos Estados Unidos. Sem esse incentivo, o risco de “desindustrialização” — o fechamento de fábricas que marcou os últimos anos — voltaria a assombrar as famílias de Santo André e Mauá.
Por que o Grande ABC é o maior beneficiado?
O Polo Petroquímico do Grande ABC opera como uma engrenagem viva. Nele, o produto que sai de uma chaminé serve, muitas vezes, de matéria-prima imediata para a fábrica vizinha através de uma malha complexa de dutos. Ao reduzir o imposto na base dessa pirâmide química, o governo cria um efeito de proteção em toda a cadeia produtiva da nossa região.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou que a medida chega em um momento de “guerra de preços” global. Com os conflitos no Oriente Médio encarecendo o gás natural e o petróleo, as indústrias brasileiras estavam perdendo o fôlego. “É exatamente nesse momento que o presidente reduz os impostos federais para melhorar a competitividade e o investimento em inovação e eficiência energética”, afirmou Alckmin durante a abertura da Caravana Federativa em São Paulo.
Do emprego no ABC ao preço da sua compra
Você pode não ver o “químico” no seu dia a dia, mas ele está em tudo. O setor responde por 11% do PIB industrial brasileiro e sustenta cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos. No ABC, as gigantes petroquímicas são as maiores pagadoras de impostos e grandes empregadoras de mão de obra qualificada. O novo Reiq funciona, na prática, como um seguro contra demissões em massa.
Onde o desconto no imposto vai aparecer para você? Os insumos químicos que ficaram mais baratos agora são a base para fabricar produtos essenciais, ajudando a frear a inflação:
- Setor Automotivo: Polímeros e borrachas usados nas montadoras de São Bernardo e São Caetano.
- Saúde e Higiene: Matéria-prima para fraldas, remédios, shampoos e sabonetes.
- Alimentação: Embalagens plásticas que conservam a comida e evitam o desperdício.
- Construção Civil: Tubos de PVC, conexões elétricas, tintas e vernizes.
R$ 3,1 bilhões para girar a economia em 2026
Com a nova lei, o volume de recursos destinados ao programa dá um salto impressionante: passa de R$ 1,1 bilhão para R$ 3,1 bilhões no exercício de 2026. Esse montante extra será usado para compensar as perdas da indústria nacional e estimular parcerias voltadas para a “química verde” e a sustentabilidade, pautas que o Polo do ABC já lidera no Brasil.
O governo faz questão de reforçar: essa “mãozinha” fiscal não vai gerar rombo nas contas públicas. O valor será compensado pelo ganho de arrecadação de outras leis aprovadas recentemente, como a Lei 224/2025. Ou seja, é um investimento no PIB que se paga com o próprio crescimento do setor.
O Polo de Cubatão e o Porto de Santos
Além do ABC, a medida blinda o Polo Industrial de Cubatão. Com 25 grandes empresas focadas em fertilizantes e siderurgia, Cubatão é o pulmão que alimenta o agronegócio brasileiro. Pela proximidade com o Porto de Santos e o Sistema Anchieta-Imigrantes, o fortalecimento desses dois polos (ABC e Litoral) cria um corredor logístico imbatível para a exportação de produtos de alto valor agregado.
Em fevereiro, Alckmin já havia sinalizado essa mudança ao receber representantes de trabalhadores de Cubatão. Agora, com a sanção oficial, o plano sai do papel. “A reforma tributária e medidas como o Reiq trazem eficiência econômica e aumentam a exportação porque desoneram o investimento”, completou o vice-presidente.
Para o morador de Santo André e Mauá, a sanção do Reiq é a garantia de que as luzes do Polo Petroquímico continuarão acesas, sinalizando que o Grande ABC segue como o coração pulsante da indústria nacional, agora com mais fôlego para encarar o mercado global.

