O anfiteatro do Centro Universitário FMABC, em Santo André, tornou-se nesta sexta-feira (20) o epicentro mundial de uma discussão vital: como a ciência pode, finalmente, derrubar os muros do preconceito. A abertura do 15º Simpósio Internacional de Síndrome de Down não foi apenas uma sucessão de palestras técnicas, mas um encontro de esperança para centenas de famílias que buscam entender os avanços nas neurociências e na educação.
O timing não poderia ser mais simbólico. Amanhã, 21 de março, o planeta celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down. Enquanto o mundo posta fotos e mensagens de conscientização, em Santo André o debate é prático: como garantir que o diagnóstico de trissomia 21 não seja um teto, mas o ponto de partida para uma vida plena.
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Por que a informação é o melhor remédio?
Para muitos pais, o primeiro contato com a Síndrome de Down vem carregado de dúvidas e medos. O simpósio foca justamente em substituir essa ansiedade por dados concretos. A advogada Ana Paula Scaracini, que participou do evento com a pequena Melissa, de apenas 1 ano, resume bem esse sentimento de quem está começando a jornada.

“Como minha filha é muito nova, eu também estou em fase de aprendizado. Participar de um evento assim traz mais segurança e embasamento inclusive na hora de conversar com os profissionais durante as consultas”, relata Ana Paula.
Essa segurança é o que permite que as famílias exijam o melhor tratamento e as melhores estratégias pedagógicas nas escolas, garantindo que o direito à inclusão saia do papel e vire realidade no dia a dia.
Viagem de 500 km em busca de respostas
O impacto do evento é tão grande que as fronteiras do Grande ABC ficaram pequenas. O casal Renato Gonçalves Gomes e Janaína de Cássia Silva cruzou o estado, viajando cerca de 500 quilômetros desde Assis até Santo André, apenas para ouvir os especialistas.
Para Janaína, cada quilômetro valeu a pena para ouvir que o filho pode, sim, desenvolver todo o seu potencial. “Gostamos de participar porque ajuda a desmistificar muita coisa. Ao assistir às palestras, entendemos que, com o tratamento adequado, nosso filho pode se desenvolver”, afirma.
Os grandes temas em debate este ano:
- Neurociências: O que há de novo no funcionamento do cérebro e como estimular a aprendizagem.
- Educação Interdisciplinar: Estratégias para que a escola seja, de fato, para todos.
- Saúde Integrada: Aspectos clínicos que melhoram a longevidade e o bem-estar.
- Inclusão Social: Como preparar o mercado de trabalho e a sociedade para a diversidade.
O papel da FMABC como referência
Organizado pelo Núcleo Especializado em Aprendizagem (NEA-FMABC), o evento reforça o papel de Santo André como um polo exportador de conhecimento em saúde. Com palestras presenciais e transmissões on-line, o simpósio alcançou pessoas de outros estados e até do exterior, democratizando o acesso a pesquisas de ponta.
Alessandra Caturani, coordenadora do NEA-FMABC, explica que o compromisso da instituição vai além do ensino acadêmico. “É uma oportunidade para trocar experiências e ampliar nosso compromisso com a promoção da inclusão, da diversidade e da disseminação de boas práticas”, pontua.
Um convite à empatia e à ciência
O simpósio continua neste sábado com mesas-redondas e apresentações que conectam médicos, psicólogos, educadores e, claro, os próprios protagonistas: as pessoas com Síndrome de Down. O recado que sai do ABC para o mundo é claro: a deficiência não define o indivíduo, mas o suporte que ele recebe faz toda a diferença.
Se você perdeu o primeiro dia, ainda há tempo de acompanhar as discussões que estão moldando uma sociedade mais justa e preparada para a trissomia 21. Afinal, como dizem os especialistas no evento, inclusão não é um favor, é um direito fundamentado na ciência.
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Por: Odair Junior/ABC Agora | *Com informações/FMABC

