A estratégia de Lula defende na Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) que o continente assuma o protagonismo na transição energética global. Durante a 10ª Cúpula do bloco, realizada em Bogotá, o presidente brasileiro enviou um discurso lido pelo chanceler Mauro Vieira no último sábado (21), enfatizando que a região não pode ser apenas exportadora de matéria-prima, mas deve controlar todas as etapas da cadeia produtiva de minerais críticos.
Com a segunda maior reserva mundial desses insumos, fundamentais para a fabricação de semicondutores, baterias e painéis solares, o Brasil sugeriu a criação de um marco regional. A ideia é estabelecer parâmetros comuns que aumentem o poder de negociação da América Latina frente a investidores estrangeiros, garantindo soberania e desenvolvimento interno.
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Alianças com Colômbia e África
A passagem pela capital colombiana também serviu para estreitar laços bilaterais. No encontro com o presidente Gustavo Petro, os temas centrais foram o fortalecimento do multilateralismo e a sucessão da presidência da Celac. Petro confirmou que virá ao evento “Democracia contra o Extremismo”, marcado para abril, em Barcelona.
Já na reunião com Évariste Ndayishimiye, presidente do Burundi e da União Africana, o foco foi o combate à desigualdade. O Burundi oficializou sua adesão à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Um dos passos estratégicos anunciados foi a instalação de um escritório da Embrapa na Etiópia, visando levar a tecnologia agropecuária brasileira para o continente africano.
O impasse na sucessão da ONU
Apesar do clima de cooperação, houve uma divergência clara sobre o futuro da Secretaria-Geral das Nações Unidas. Onde Lula defende na Celac o nome da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet — sob o argumento de que é hora de uma mulher latino-americana ocupar o posto, Ndayishimiye declarou apoio ao ex-presidente do Senegal, Macky Sall.
Combate ao Crime e Lavagem de Dinheiro
No campo da segurança pública, o governo brasileiro alertou que a falta de sintonia entre os vizinhos é o que alimenta o crime organizado. O discurso de Lula defendeu medidas rígidas como:
- Combate à lavagem de dinheiro e regulação de criptomoedas;
- Controle do fluxo de armas pesadas vindas de países desenvolvidos;
- Implementação do Projeto de Lei Antifacção, modelo brasileiro que visa asfixiar o financiamento de grupos criminosos através da integração policial.
Para o Brasil, a integração regional é a “vacina” contra a dependência tecnológica e a instabilidade geopolítica que assombra o mundo atual.
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Por: Odair Junior/ABC Agora

