O cenário político brasileiro ganhou um novo e decisivo capítulo neste domingo (22). Com o foco voltado para o Palácio do Planalto, a renúncia de Romeu Zema ao governo de Minas Gerais oficializa a entrada definitiva do ex-governador na corrida presidencial de 2026. A cerimônia, realizada na Assembleia Legislativa (ALMG) e seguida de solenidade no Palácio da Liberdade, marcou a transmissão do cargo para o vice-governador Mateus Simões (PSD).
A movimentação antecipa o prazo de desincompatibilização eleitoral, que vence em 4 de abril, e posiciona Zema como o nome do partido Novo para tentar quebrar a polarização nacional.
A renúncia de Romeu Zema na manhã deste domingo (22) encerra um ciclo de mais de cinco anos à frente do segundo maior colégio eleitoral do país. Ao assinar o termo de desincompatibilização, Zema cumpre o rito exigido pela Justiça Eleitoral para disputar as eleições presidenciais de outubro. Em seu último discurso no Palácio da Liberdade, o agora ex-governador usou um tom nitidamente nacional, afirmando que sua gestão “devolveu Minas aos mineiros de bem” e que pretende replicar o modelo administrativo em todo o Brasil.
Zema não poupou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sinalizando que sua campanha será pautada pelo embate direto com o atual ocupante do Planalto. No entanto, o desafio nas urnas é grande: o levantamento mais recente do Datafolha (março de 2026) coloca Zema com índices entre 4% e 5%, enquanto Lula e o senador Flávio Bolsonaro lideram a disputa.
O novo comando de Minas: Mateus Simões
Com a renúncia de Romeu Zema, o advogado e professor Mateus Simões (PSD) assume o Executivo mineiro com a missão de concluir o mandato até dezembro de 2026. Em seu primeiro pronunciamento, Simões adotou uma postura de defesa da autonomia estadual e criticou o que chamou de “falta de apoio da União” em problemas estruturais de Minas, como as condições das rodovias federais e limitações no sistema de saúde.
Simões assume o cargo já sob pressão fiscal. Dados enviados ao Tesouro Nacional revelam que a gestão Zema encerrou o ano de 2025 com um déficit de R$ 11,3 bilhões em caixa, um “presente de grego” que o novo governador terá de administrar enquanto tenta crescer nas pesquisas para a reeleição. Atualmente, Simões aparece com intenções de voto entre 9% e 19%, atrás do senador Cleitinho (Republicanos).
Articulações nos bastidores
Embora a renúncia de Romeu Zema tenha como objetivo a cabeça de chapa pelo Novo, o mundo político observa com lupa os próximos passos do mineiro. Lideranças do PL, como Valdemar Costa Neto, já ventilaram a possibilidade de Zema compor como vice em uma frente ampla de direita. Publicamente, Zema nega qualquer recuo, mas o desempenho nas pesquisas nos próximos meses será o termômetro para saber se ele seguirá até o fim como candidato a presidente ou se buscará uma aliança estratégica.

