Os números não mentem: a educação pública de São Paulo está vivendo uma virada de chave. Os dados mais recentes do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) revelam que os alunos da rede estadual avançaram em Língua Portuguesa e Matemática em todas as etapas do Ensino Fundamental.
O destaque absoluto vai para a Matemática. No 9º ano, os estudantes alcançaram a média de 260,3 pontos, o que representa o melhor resultado já registrado na história da disciplina para essa série. Para se ter uma ideia, o salto foi de 14 pontos em relação ao que era registrado em 2023.
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O “Raio-X” das Notas: Onde o estado mais cresceu?
A evolução foi sentida desde os pequenos, que estão começando a ler, até os adolescentes que se preparam para o Ensino Médio. Confira os avanços por etapa:
Matemática (Crescimento desde 2023):
- 2º ano (Alfabetização): Alcançou 200,8 pontos (+33 pontos);
- 5º ano: Chegou a 236,3 pontos (+21 pontos);
- 9º ano: Bateu o recorde histórico com 260,3 pontos (+14 pontos).
Língua Portuguesa: Em Português, o estado consolidou a recuperação iniciada no pós-pandemia. O 5º ano cresceu mais de 13 pontos em dois anos, enquanto o 2º ano manteve a estabilidade com 191,7 pontos, garantindo que a base da alfabetização esteja sólida.
O que mudou dentro da sala de aula?
Muitos pais e responsáveis se perguntam: o que fez a nota subir tanto em tão pouco tempo? A Secretaria da Educação (Seduc-SP) aponta que o resultado é o “combo” de três pilares principais implantados desde 2023:
- Aulas mais longas: A duração de cada aula subiu para 50 minutos. Esse tempo extra parece pouco, mas no fim da semana garante que o professor consiga explicar o conteúdo com calma e o aluno tenha tempo de tirar dúvidas.
- Tecnologia no bolso (e no tablet): O uso da plataforma Matific por 1,8 milhão de alunos transformou o aprendizado de matemática em algo mais dinâmico e menos “assustador”.
- Tutoria Particular na Escola: Em 2025, o projeto de recuperação foi ampliado. Hoje, 600 escolas têm professores tutores que cuidam de turmas pequenas (até 15 alunos) para reforçar o que ficou para trás no 6º e 7º ano.
“Olhar individualizado” é a meta
Além da tecnologia, o investimento em monitoramento permitiu que a gestão saiba exatamente onde cada aluno está travando. Com a readequação da matriz curricular, o conteúdo ficou mais direto e focado no que realmente cai nas avaliações e no que o mercado de trabalho exige.
Para o estado, esses ganhos no Saresp são a prova de que a estrutura digital aliada ao tempo extra de estudo está preparando uma geração capaz de topar novos desafios quando chegar ao Ensino Médio.

