O céu do Brasil ficou mais protegido — e muito mais tecnológico — nesta quarta-feira (25). Em um evento histórico na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, foi apresentado o primeiro caça F-39E Gripen fabricado em solo brasileiro. Se antes dependíamos 100% de tecnologia estrangeira para nossa defesa aérea, agora o país entra para um clube restrito de nações que sabem construir aviões de guerra de última geração.
Para o cidadão comum, isso não é apenas uma entrega militar; é o fortalecimento da nossa indústria. Das 36 unidades compradas pela Força Aérea Brasileira (FAB), 15 serão montadas inteiramente aqui, movimentando uma cadeia de empresas nacionais e garantindo que o conhecimento técnico fique no Brasil.
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Os 5 pilares que fazem do Gripen o “terror” dos adversários
O Gripen E não é um avião comum. Ele é considerado um dos vetores de defesa mais modernos do planeta. Confira o que ele traz de novo:
- Supervelocidade: Capaz de cruzar os céus em velocidades supersônicas para interceptar ameaças em minutos.
- Fusão de Dados: O caça “conversa” com outros aviões e radares em tempo real, criando um mapa digital perfeito do campo de batalha.
- Multitarefa: O mesmo avião que faz reconhecimento pode atacar alvos no solo ou travar combates aéreos.
- Custo-Benefício: Projetado para ser potente, mas com uma manutenção mais simples e barata que seus concorrentes americanos ou russos.
- DNA Brasileiro: A linha de produção em SP está pronta não só para abastecer a FAB, mas para exportar esses jatos para o mercado internacional.
Bilhões em jogo: Empregos e economia real
O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Defesa, José Múcio, deixaram claro que o foco é o desenvolvimento. O programa Gripen já tirou do papel mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos.
O investimento é pesado: o BNDES destinou R$ 108 bilhões para o setor de inovação e defesa. “A produção local garante acesso a tecnologias de ponta e fortalece o poder do país”, destacou Múcio durante a cerimônia. Com 11 aeronaves já entregues (as primeiras vieram da Suécia), o exemplar brasileiro agora segue para testes de voo antes de ir para sua casa definitiva: a base de Anápolis (GO).
Do supersônico ao “Carro Voador”
Mas nem só de guerra vive a tecnologia em Gavião Peixoto. O presidente Lula também conheceu o protótipo do eVTOL, o famoso “carro voador” da Eve (subsidiária da Embraer).
Diferente do caça, o eVTOL é focado na mobilidade urbana sustentável. Ele decola e pousa na vertical, como um helicóptero, mas é 100% elétrico e silencioso. É a aposta da Embraer para revolucionar o trânsito de metrópoles como São Paulo nos próximos anos. Embora tenha acompanhado cada detalhe do batismo das aeronaves, o presidente optou por não discursar, deixando que o ronco dos motores e a tecnologia falassem por si.

O próximo passo da FAB
O caça apresentado hoje passará por uma bateria rigorosa de ensaios. O objetivo é garantir que cada parafuso e sistema eletrônico instalado no Brasil funcione com perfeição. Assim que aprovado, ele se integra ao 1º Grupo de Defesa Aérea, elevando o Brasil a um novo patamar de vigilância e proteção de nossas fronteiras e riquezas.
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Odair Junior/ ABC Agora | *Com Informações: SAAB e Agência Brasil

