Esqueça o futebol burocrático. Se você estava esperando um Brasil cauteloso para o clássico contra a França nesta quinta-feira (26), o técnico Carlo Ancelotti acaba de mudar o roteiro. Em uma coletiva direta e sem rodeios em Orlando, o comandante italiano confirmou que a Seleção vai para o abafa: serão quatro atacantes empilhados na frente para testar o coração da defesa francesa.
O jogo, que acontece às 17h (Brasília) em Boston, não é apenas um amistoso. Para a comissão técnica, é o “vestibular” definitivo deste ciclo de Mundial. A ideia é simples no papel, mas ousada na prática: usar a velocidade brazuca para tirar o conforto de Mbappé e companhia.
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A estratégia: O quarteto fantástico e o paredão incompleto
Ancelotti foi cristalino sobre como pretende jogar. Ele quer o controle, mas sem abrir mão da agressividade que o DNA brasileiro exige. “O modelo de jogo que queremos planejar é com quatro na frente. Queremos jogar uma boa partida, controlando o jogo, tentar defender bem e mostrar a qualidade que os quatro da frente têm”, disparou o treinador.
Mas nem tudo são flores na Granja Comary móvel. Enquanto o ataque está definido, a cozinha sofre com baixas. Marquinhos está fora devido a dores no quadril. Com isso, a linha de defesa ganha rostos conhecidos, mas sob pressão:
- Wesley, Léo Pereira e Douglas Santos já estão com o colete de titular.
- A última vaga na zaga é o único mistério: Bremer ou Ibañez? Ancelotti ainda faz mistério sobre quem terá a missão de caçar Mbappé.
Sobre a onda de lesões que assombra o elenco, o técnico deu de ombros, tratando o cansaço como algo “normal” do calendário europeu. Para ele, quem está em campo tem que entregar performance, ponto final.
O “papo reto” de Vini Jr.: Sem salto alto

Se Ancelotti foca na tática, Vini Jr. foca na mentalidade. O atacante, que vive uma lua de mel com a rede no Real Madrid, trouxe um tom de sinceridade raro para as coletivas da Seleção. Para ele, o Brasil precisa recuperar o respeito dentro de campo antes de ostentar qualquer rótulo de “melhor do mundo”.
“Acredito que a Seleção não é a favorita pelos resultados que tivemos. Mas o peso da camisa e dos jogadores que temos aqui não podem ser desprezados. A gente não quer o favoritismo, quer o topo”, pontuou Vini. É o famoso “comendo pelas beiradas” de quem sabe que a pressão no Brasil não perdoa tropeços.
A nova geração: De Endrick a Estêvão
O camisa 7 também destacou que não está mais sozinho na missão de decidir jogos. Ele celebrou a chegada de sangue novo e a evolução de nomes como Raphinha e João Pedro. O destaque, claro, ficou para as joias Endrick e Estêvão, que trazem o improviso que muitas vezes faltou em torneios passados.
Vini ressaltou que a preparação física tem sido sua obsessão para evitar as lesões que o tiraram de combates importantes no passado. Ele se sente pronto, feliz e, acima de tudo, consciente de que o Brasil precisa de detalhes — inclusive nas bolas paradas — para vencer uma França que joga junta há anos.
O fator Mbappé: Atenção total
Ancelotti não escondeu que o capitão francês é a maior preocupação. A velocidade de Mbappé exige uma cobertura dobrada, e é aí que entra o teste para Léo Pereira e Douglas Santos. O Brasil vai precisar de uma sincronia perfeita entre os quatro da frente para não deixar a bola chegar limpa no craque francês. Se o plano de Ancelotti funcionar, Boston verá uma das melhores exibições da Seleção em anos. Se falhar, o questionamento sobre o equilíbrio defensivo voltará com força total.

