O pátio da ETEC de Mauá transformou-se, entre os dias 23 e 25 de março, em um verdadeiro quartel-general de cidadania e proteção. A primeira edição do Projeto FLORIR não foi apenas um evento de comemoração ao Mês da Mulher, mas uma resposta contundente ao aumento dos casos de feminicídio. Criado pela Secretaria de Assistência Social em parceria com o Centro Paula Souza, o projeto levou informação estratégica para centenas de jovens que, a partir de agora, atuam como multiplicadores do combate ao abuso.
A ideia é simples e direta: apresentar para as alunas e suas famílias os serviços que a cidade oferece, desde o atendimento psicológico até a rede de proteção jurídica. “As mulheres não podem aceitar a morte de tantas outras. Vamos nos unir”, afirmou a secretária de Assistência Social, Fernanda Oliveira, lembrando que a política de proteção de Mauá foi recentemente aplaudida em um evento da ONU.
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Além da sala de aula: O que rolou na prática?
A programação foi intensa e fugiu do formato de “palestras chatas”. O foco foi o olho no olho e a solução de problemas reais:
- Segunda-feira (23/03): Foco total em direitos e no “Ciclo da Violência”. A Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres ensinou como identificar os primeiros sinais de abuso e como retomar o controle da vida.
- Quarta-feira (24/03): A Secretaria de Saúde entrou em cena para falar de autocuidado e apresentar o Navis (Núcleo de Atenção à Violência Sexual), serviço essencial da rede municipal.
- Encerramento (25/03): Uma mega ação na quadra da escola uniu serviços de manicure, maquiagem e barbearia com orientações sobre empreendedorismo, vacinação e até educação ambiental.
Alerta: O perigo mora no “print”
Um dos pontos altos foi o debate sobre a violência digital. A secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Cida Maia, deu um choque de realidade nos estudantes sobre os riscos da exposição na internet. Ela alertou sobre relacionamentos abusivos que começam com pedidos de “provas de amor” digitais, que rapidamente podem se transformar em crimes de exposição e chantagem.
“Que cada um aqui seja agente no combate ao feminicídio e aos abusos na internet”, reforçou o superintendente da ETEC, Jessé Fonseca. O objetivo da escola é formar não apenas técnicos qualificados para o mercado, mas cidadãos conscientes que levem esses exemplos para dentro de casa.

A voz de quem participou
Para Sandra Macarena, mãe de uma das alunas, a iniciativa precisa ganhar as ruas. “Muitas mulheres nem sabem que estão sofrendo violência. Quero que essa atividade vá para outras escolas para que as mulheres saibam seus direitos”, desabafou durante a cerimônia de fechamento.
O Projeto FLORIR encerra sua primeira fase deixando um rastro de conscientização. Entre atrações musicais e oficinas de chás medicinais, a mensagem que ficou gravada no coração de Mauá foi a do secretário de Cultura, Deivid Couto: “Cuidado com o que vocês alimentam no coração. Não podemos fazer da cultura do feminicídio a nossa cultura”.

