O Brasil está prestes a deixar de ser apenas um comprador de remédios para se tornar um dos maiores vendedores do mundo. Nesta quinta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o complexo industrial da Brainfarma, em Anápolis (GO), para celebrar um marco histórico: a produção nacional da escopolamina o ingrediente principal (IFA) de medicamentos como o Buscopan.
Com um investimento total de R$ 250 milhões e apoio do BNDES, a fábrica brasileira será a primeira da América Latina a produzir esse insumo. Mais do que isso: a partir de 2026, com o fim da produção na Alemanha, o Brasil assumirá o posto de maior produtor mundial desse componente.

“Saúde é investimento, não é gasto”
Durante a visita, Lula rebateu críticas sobre o uso de recursos públicos no setor. Para o presidente, o fortalecimento da indústria nacional é uma questão de soberania e cuidado com as pessoas.
“Muita gente acha que isso é gastar muito dinheiro. Não tem limite de investimento melhor do que você colocar dinheiro para salvar a vida de homens, mulheres e crianças nesse país”, afirmou o presidente.
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O foco do governo é reduzir a dependência de insumos vindos da China, Índia e Europa. Hoje, cerca de 60% dos insumos usados no Brasil são importados, o que encarece o sistema de saúde e gera riscos de desabastecimento.
Do SUS para o mundo
O impacto dessa nova fábrica vai muito além das fronteiras de Goiás. A meta é que o Brasil passe a exportar o insumo para mercados exigentes, como Europa, Ásia e Oriente Médio.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que a Reforma Tributária será uma aliada nesse processo, desonerando investimentos e zerando impostos sobre a exportação, o que torna o remédio brasileiro mais competitivo lá fora.
O que o projeto traz de novo:
- Segurança Nacional: Menos risco de faltar remédios essenciais no SUS;
- Economia: Redução do déficit na balança comercial da saúde;
- Empregos: Geração de mais de 500 novos postos de trabalho diretos e indiretos;
- Tecnologia: Domínio completo da produção, desde o plantio até o laboratório.
Farmácia Popular e Vacinação

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que a demanda gerada por programas como o Farmácia Popular, que atende 27 milhões de brasileiros mensalmente é o que dá “coragem” para a indústria nacional investir pesado.

