Imagine estar a centenas de metros de altura, logo após as rodas do avião deixarem a pista do Aeroporto de Guarulhos, e ouvir um estrondo seco vindo do lado de fora. Foi exatamente esse o cenário de pesadelo vivido por passageiros e tripulantes do voo 104 da Delta Airlines na noite deste domingo (29).
O que deveria ser uma viagem tranquila de São Paulo para Atlanta, nos Estados Unidos, se transformou em uma operação de emergência em poucos minutos. O motor esquerdo do Airbus A330-300 apresentou uma falha catastrófica, descrita por quem estava em solo como uma explosão, forçando os pilotos a uma decisão rápida: interromper a subida e retornar imediatamente.
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O que aconteceu no céu de Guarulhos?
O incidente ocorreu por volta das 22h, horário de pico em um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Segundo relatos iniciais, chamas foram vistas saindo da turbina esquerda logo após a decolagem. O som, que ecoou em bairros próximos ao aeroporto, assustou moradores e entusiastas da aviação que acompanham o movimento das pistas.
A aeronave não estava vazia. A bordo, o clima de tensão tomou conta de:
- 272 passageiros que buscavam o destino internacional;
- 14 tripulantes treinados para situações de crise;
- Equipes de solo que acompanharam o retorno via radar.
Manobra de emergência e segurança em solo
Assim que a falha foi detectada, o comandante declarou emergência e iniciou os procedimentos para o pouso de segurança. No GRU Airport, o protocolo de crise foi acionado instantaneamente. Viaturas do Corpo de Bombeiros foram posicionadas ao longo da pista, aguardando o toque do Airbus no asfalto.
Felizmente, a perícia dos pilotos garantiu um pouso suave, apesar da aeronave estar com o peso elevado devido ao combustível para a travessia transatlântica. Ninguém ficou ferido, e o desembarque ocorreu de forma controlada através de ônibus que levaram todos de volta ao terminal principal.
O posicionamento da Delta Airlines
Em nota oficial enviada à imprensa, a companhia aérea buscou acalmar os ânimos e explicou a natureza do problema, mantendo o foco na segurança operacional.
“O voo 104 da Delta, de São Paulo para Atlanta, retornou ao aeroporto logo após a decolagem após um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave. Os passageiros foram levados de ônibus até o terminal. A segurança de nossos clientes e da tripulação é nossa maior prioridade. Pedimos desculpas aos nossos clientes por esse atraso em suas viagens”, afirmou a Delta.
O efeito dominó no aeroporto
Um incidente dessa magnitude nunca termina no pouso. Como o Airbus A330 é uma aeronave de grande porte, a pista de Guarulhos precisou passar por inspeções para garantir que nenhum detrito da explosão do motor ficasse para trás, o que poderia causar acidentes com outros aviões.
Essa varredura causou o cancelamento e atraso de outros voos que operariam naquela noite. Para quem vive no Grande ABC e depende da logística do aeroporto, o reflexo foi sentido em conexões e embarques programados para a madrugada de segunda-feira.
Entenda o Airbus A330-300
Esse modelo de aeronave é conhecido por sua robustez e é um dos cavalos de batalha das rotas internacionais. Ele possui dois motores potentes, projetados para que o avião consiga voar e pousar em segurança mesmo se um deles parar completamente — técnica conhecida como ETOPS.
O que os especialistas agora vão investigar é o que causou a “explosão” visual. Falhas mecânicas internas ou até mesmo a ingestão de um pássaro (bird strike) estão entre as hipóteses, mas apenas a perícia técnica nos componentes do motor esquerdo poderá dar a palavra final.

