O tabuleiro político para a sucessão presidencial está oficialmente montado. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, confirmou nesta segunda-feira (30) o nome de Ronaldo Caiado como o pré-candidato do partido à Presidência da República.
Diferente das semanas anteriores, onde o cenário ainda era de especulação, agora a situação é definitiva: Caiado já deixou o comando do governo de Goiás, cumprindo o prazo legal para se dedicar exclusivamente à disputa nacional. Ele se junta a outros nomes que também já se afastaram de seus cargos públicos para focar na corrida pelo Planalto.
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O caminho livre após as desistências
A indicação de Caiado ganhou tração após uma série de “nãos” dentro da própria sigla. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, que liderava as pesquisas internas com 7%, optou por não entrar na disputa. Da mesma forma, Eduardo Leite (RS) também viu seu espaço encolher na legenda.
A oficialização em São Paulo, no entanto, não foi isenta de faíscas. Leite, que buscava representar um centro mais liberal, não poupou críticas à guinada à direita que o PSD deu ao escolher o nome de Goiás.
“A decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país. Eu acredito em um outro caminho, acredito num centro liberal, democrático de verdade”, disparou Leite.
O desafio de unir o PSD (e o Nordeste)
O maior obstáculo de Caiado agora não está nos adversários externos, mas dentro de casa. No Nordeste, a força do presidente Lula é uma barreira que o PSD não quis derrubar à força.
Na prática, Kassab adotou uma estratégia de sobrevivência: liberou a bancada nordestina para manter seus acordos locais. Isso significa que, enquanto Caiado tenta se viabilizar nacionalmente, parte do seu próprio partido na região deve caminhar com o atual governo.
O que muda no cenário com Caiado no jogo?
- Gestão como Vitrine: O ex-governador aposta no sucesso de suas políticas de segurança pública e no diálogo com o agronegócio.
- Disputa na Direita: Ele entra em rota de colisão direta com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) pela preferência do eleitor conservador.
- A Terceira Via: Com Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 41% em recentes pesquisas, Caiado tenta ser a alternativa para quem foge dos dois extremos.
O peso do agronegócio e a história
Com o cargo entregue e a pré-campanha nas ruas, Caiado tenta reviver o sonho de 1989, quando disputou o Planalto pela primeira vez. Agora, mais experiente e com o apoio público de Ratinho Júnior, ele quer provar que o PSD pode ter voz própria.
Ratinho Júnior, inclusive, endossou a escolha do colega:
“A definição do partido reforça que a legenda apostou num homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança.”
O foco agora é o corpo a corpo. Sem as amarras do governo estadual, Caiado inicia uma maratona de viagens pelo país para tentar furar a bolha da polarização antes que o calendário eleitoral aperte ainda mais.

