O subsídio ao diesel e o esforço do governo Lula para baixar o preço do diesel são o centro das atenções na economia brasileira nesta semana. Em uma corrida contra o tempo para frear a inflação causada pela guerra no Oriente Médio, o governo federal confirmou que mais de 80% dos estados brasileiros já aceitaram dividir a conta de um subsídio para baratear o diesel importado. Na prática, o plano é garantir um desconto de R$ 1,20 por litro para evitar que o caos internacional quebre a economia doméstica.
A decisão surge em um momento crítico. Com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completando dois meses, o preço do barril de petróleo saltou 50%. Como o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o risco de um “apagão” de combustível ou de preços impagáveis nas bombas acendeu o sinal de alerta máximo em Brasília.
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Como vai funcionar o desconto no seu bolso?
O governo não quer que você pague a conta de uma guerra que acontece a milhares de quilômetros de distância. O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Medida Provisória (MP) será publicada ainda nesta semana. O plano é simples, mas ambicioso:
- Desconto total: R$ 1,20 por litro de diesel importado.
- Quem paga: A conta será dividida. A União banca R$ 0,60 e o estado onde o combustível for vendido banca os outros R$ 0,60.
- Duração: O alívio é temporário, previsto para durar dois meses.
- Custo total: Cerca de R$ 3 bilhões investidos para segurar o preço.
“A guerra não é do povo brasileiro”, diz Lula

Durante evento em São Paulo nesta terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra as potências globais. Para ele, o brasileiro está sendo “vítima” de decisões externas. “Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, a guerra não é do povo brasileiro e a gente não tem que ser vítima dessa guerra”, disparou o presidente.
Lula explicou que o diesel caro é um vilão invisível que encarece tudo o que você compra no mercado. “O preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, alertou, cobrando “juízo” dos membros do Conselho de Segurança da ONU.
Por que os estados resolveram ajudar agora?
Até o momento, 22 ou 23 das 27 unidades da federação já deram o “sim” à proposta. O Ministério da Fazenda e o Comsefaz ressaltaram que essa união busca a “previsibilidade de preços e a segurança do abastecimento”. Embora a lista oficial dos estados que ficaram de fora não tenha sido divulgada, o governo continua negociando para que a adesão seja total.
O ministro Durigan reforçou que a medida é excepcional. O objetivo é criar uma barreira contra os “atravessadores” que, segundo o governo, impedem que baixas nos preços cheguem ao consumidor final. “Quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, criticou Lula.
O risco real de desabastecimento
Além do preço, o governo teme que falte produto. Com o Irã sob ameaça de invasão e rotas de comércio travadas, o mercado internacional está instável.
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Odair Junior/ABC Agora | *Com informações: Agência Brasil

