Moradores de São Bernardo que travam difícil batalha para se livrar do consumo do tabaco contam com o trabalho atencioso, acolhedor e de excelência realizado em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município. O serviço envolve equipes multiprofissionais e de estratégia da saúde da família para garantir que o paciente tenha todo o atendimento necessário para abandonar o vício. Na unidade da Vila Marchi, a tarde de terça-feira (12/5) foi de alegria para moradores que concluíram o curso Cessão do Tabagismo, que começou em março, com um certificado preparado com carinho pelos profissionais de saúde.
A equipe responsável pelo atendimento não escondia a felicidade pelo resultado alcançado com o grupo, até porque a maioria está há mais de 30 dias sem fumar, uma vitória importante nesta primeira batalha contra o vício. Todos afirmam, sobretudo, que agora passaram a se sentir melhor, com mais qualidade de vida em todos os sentidos, inclusive na relação familiar.
Alguns pacientes buscaram ajuda por vontade própria, outros por incentivo da família, e pelo menos dois por ordem médica, após apresentarem problemas de saúde, casos de dona Gabriela Soares dos Santos Gomes, mineira de 68 anos e fumante, até onde se lembra, desde os 9 anos, e Sebastião Botelho, de 70 anos e dependente do tabaco há mais de 50, convidado para participar da festa. Outra paciente que começou a fumar ainda criança é a paraibana Mariluce de Oliveira Frazão, que em 30 dos seus 40 anos de vida teve a companhia do cigarro.

AJUDA PRÁTICA – Moradora do Riacho Grande, para onde voltou após perder o marido, há cerca de um mês, dona Gabriela afirmou que procurou ajuda para deixar o cigarro por orientação médica. “Comecei a sentir dor no braço esquerdo e fui parar no hospital. Aí o médico falou para eu parar de fumar que senão eu ia morrer. Cheguei em casa, falei que ia jogar o maço fora e meu genro pediu. Aí decidi vir buscar ajuda e tudo mudou, estou bem melhor. Nunca mais vou querer saber de cigarro”, afirmou a mãe de sete filhos – três mulheres e quatro homens –, nenhum deles fumante.
Quem também buscou ajuda na UBS Vila Marchi, bairro onde mora, foi o senhor Sebastião, que fumou por mais de 50 anos e nunca tentou parar, até que uma tosse “estranha’ o atormentou por mais de um mês, há cerca de dois anos. Na ida ao hospital, os exames revelaram que estava com 25% dos pulmões comprometidos e o médico disse que era momento de deixar o tabaco de lado. O neto Téo, hoje com 6 anos, também pedia ao avô para “esquecer” o cigarro.
“Como moro aqui no bairro resolvi buscar ajuda, porque bateu medo quando o médico falou, comecei a frequentar esse grupo e em três meses já larguei o vício. Se não fosse isso, estaria com os pulmões ainda mais derrubados. Desde lá, mudou a minha vida, passei a cuidar mais da saúde, a me alimentar melhor. Comia pouco, e agora como de tudo, até jaca comecei a comer, fruta que nunca tinha provado”, destacou Sebastião, convidado para participar da festa de terça-feira, quando também recebeu certificado.
Moradora do Assunção, Mariluce de Oliveira Frazão disse que está há três sem fumar, desde que iniciou o curso na UBS Vila Marchi, e que nem pensa em voltar a ser dependente do tabaco. Lembra que começou a fumar por volta dos 10 anos, acendendo cigarros para a mãe. “Tenho 40 anos, era fumante há 30, porque lá na Paraíba, naquela época, era comum crianças fumando. E hoje, dia 12 de maio, faz três meses que parei. Fumava dois maços por dia. Fumava até 3 horas da manhã e dormia, aí acordava às 6h, fumava de novo. E era assim, um negócio louco, mas graças a Deus me libertei e tenho certeza que não volto mais.”
COMBATE AO TABAGISMO – O movimento de profissionais da saúde para o combate ao tabagismo no Brasil começou na década de 1970, foi fortalecido em 1985 com atuação do Governo Federal e intensificado em 2023, com a criação do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), no âmbito do SUS. A iniciativa tem como objetivo reduzir o número de fumantes e as mortes causadas pelo tabaco no País, com trabalho amparado por profissionais preparados e qualificados.
“Na UBS Vila Marchi realizamos a escuta qualificada e acolhimento individual de cada paciente, com base em suas vivências, ambiente em que estão inseridos e história de vida, respeitando o tempo e a individualidade de cada um. Os encontros são baseados no manual do participante, porém, individualizado, de maneira horizontalizada, oferecendo um cuidado longitudinal em sua integralidade, que se estende à família, que é tão importante nesse processo de cessação do tabagismo”, disse a coordenadora da unidade, Luana Silva de Morais.
Durante o curso os participantes são acolhidos, fortalecendo os vínculos entre eles e os profissionais que os assistem. Mediante avaliação médica e farmacêutica, é disponibilizado tratamento medicamentoso e indicado o uso de adesivo, se necessário, e a equipe multiprofissional realiza sessões de auriculoterapia e apoio socioemocional durante os encontros, que se estendem para apoio nos horários de atuação na UBS, mesmo após a cessação do tabagismo. Além disso, é ofertado, com apoio da coordenação, o ajuste do horário para melhor adesão e resultados.
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Texto: Wilson Moço

