A decisão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de deixar o União Brasil e se filiar ao PSD marca um novo capítulo na reorganização do campo político de centro-direita no Brasil. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (27), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, e confirma a aproximação do goiano com o partido comandado por Gilberto Kassab.
A mudança ocorre após meses de desgaste interno no União Brasil e da resistência da cúpula da legenda, liderada por Antônio Rueda, em viabilizar a pré-candidatura de Caiado à Presidência da República em 2026. Com a filiação, o PSD passa a concentrar três governadores com projeção nacional e potencial eleitoral, reforçando seu protagonismo no cenário político.

A “trinca” do PSD e o acordo para 2026
O anúncio da filiação foi feito ao lado dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), ambos já integrantes do PSD. A presença dos três líderes no mesmo vídeo não foi casual. O encontro simbolizou a formação de uma frente política interna com foco direto na eleição presidencial de 2026.
Durante a gravação, os governadores sinalizaram um compromisso público: o nome que se mostrar mais competitivo no campo da centro-direita contará com o apoio dos demais. A ideia, segundo os envolvidos, é evitar a fragmentação excessiva e construir uma candidatura viável com base em pesquisas, desempenho político e capacidade de articulação nacional.
Caiado classificou a decisão como um “passo adiante” e destacou que a mudança representa um gesto de desprendimento pessoal em favor de um projeto maior para o país.
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Bastidores da saída do União Brasil
- Impasses internos aceleraram a decisão
A saída de Caiado do União Brasil vinha sendo discutida nos bastidores desde o ano passado, mas ganhou força nas últimas semanas. Um dos principais fatores foi a federação formada entre União Brasil e PP, que alterou o equilíbrio interno da legenda e reduziu o espaço político para o governador goiano.
Além disso, Caiado demonstrou insatisfação com sinalizações de setores do partido que defendiam apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em declarações recentes, o governador defendeu a pulverização de candidaturas no primeiro turno como estratégia para enfrentar o atual governo federal.
Caiado também afirmou que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para um eventual indicado não é automática. Segundo ele, o apoio ao PL só ocorreria em um eventual segundo turno, reforçando sua defesa de uma disputa mais aberta na primeira fase do pleito.
PSD se consolida como polo estratégico do centro-direita
- Kassab amplia poder de articulação nacional
Com a filiação de Caiado, o PSD se consolida como uma das legendas mais influentes do tabuleiro político nacional. Sob a liderança de Gilberto Kassab, o partido passa a reunir três governadores com perfis distintos, mas com forte presença administrativa e eleitoral em regiões estratégicas do país.
A movimentação também tem reflexos diretos em estados como São Paulo, onde Kassab mantém influência política e administrativa, e no Grande ABC, região historicamente atenta às articulações nacionais que impactam políticas públicas, investimentos e alianças futuras.
Agora, a expectativa do meio político é acompanhar os próximos passos do PSD na tentativa de unificar o campo da centro-direita e definir quem será o nome escolhido para encabeçar a chapa presidencial em 2026.
O que muda no cenário eleitoral
A entrada de Caiado no PSD amplia o leque de possibilidades para a eleição presidencial e aumenta a pressão sobre outras legendas do campo conservador e liberal. A estratégia de Kassab tende a priorizar diálogo, construção de alianças e pragmatismo eleitoral, características que já marcaram outras atuações do partido em disputas nacionais.
Com isso, o cenário segue aberto e dinâmico, indicando que as definições para as eleições 2026 ainda estão longe de um consenso, mas caminham para uma disputa mais organizada entre os principais blocos políticos.

