Quais as máscaras que são usadas para camuflar nossas dores, medos e inseguranças? Esse questionamento profundo foi o fio condutor de uma oficina de pintura de máscaras de Carnaval, que foi parte da programação do Carna Sarau, realizada nesta sexta-feira (20/2) no Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) Alves Dias, em alusão ao Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo – a data é celebrada anualmente em 20 de fevereiro.
O psiquiatra do Caps AD Alves Dias, Vinicius Bartolo, convidou todos os participantes a refletirem em que momento de suas vidas acabaram usando tanto o álcool quanto outros tipos de drogas como suas máscaras. “Algumas pessoas sentem que só podem ser felizes com o álcool ou com as drogas, mas isso é uma fuga da realidade. A gente tem que refletir sobre as realidades que criamos para nós mesmos. Então, quando estamos fazendo uma máscara, que seja uma brincadeira, mas trazendo para a nossa realidade, para que consigamos realizar nossos objetivos, resolver os nossos problemas”, pontuou.
>>mais notícias: São Bernardo do Campoo
A provocação foi rapidamente aceita pelos participantes, que enquanto coloriam suas máscaras no papel, citavam em que momentos da vida usaram máscaras metafóricas. “Já escondi atrás da máscara a solidão, a tristeza, mas hoje vivo sem ela e é uma vitória”, citou um dos pacientes. “Minha máscara era para fugir dos problemas, da timidez, ser quem eu não era. Até que se tornou uma dependência”, contou outro. “A máscara representa as minhas mentiras escondidas, que hoje não uso mais e me sinto muito melhor sem ela”, completou um terceiro paciente.
ACOLHIMENTO – A assistente social do CAPS AD Alves Dias e responsável pela oficina de máscaras, Sheila Almendro, explicou que a oficina pós-carnaval foi pensada para que os pacientes que fazem o acompanhamento pudessem discutir sobre como foi passar por um período onde o apelo para uso de álcool e drogas acaba sendo muito forte. “A gente quis dar um espaço acolhedor, trabalhando numa oficina de máscara, onde as pessoas poderiam falar como foi passar esse carnaval sem uso de substâncias psicoativas, ou se fez uso, como que a gente vai trabalhar daqui pra frente essa recaída mediante o tratamento, pensando em um momento de acolhimento e escuta”, detalhou.
ESCUTA E RECOMEÇOS – Esse processo de escuta atenta é citado pelos pacientes com um dos grandes motivos do sucesso dos seus acompanhamentos para retomar o controle de suas vidas. Após mais de 35 anos com o vício em álcool, duas internações, oportunidades e familiares perdidos, o paciente M., de 51 anos, pediu ajuda para a filha. Foi ela quem o acompanhou ao Caps AD Alves Dias, há cerca de sete meses. “O acolhimento aqui é muito bom, as pessoas te ouvem, te tratam com carinho, tem feito toda a diferença na minha vida”, citou. “O Caps me ajudou a me reaproximar dos meus filhos, a não perder meu emprego”, concluiu.
Ser ouvido também foi decisivo para M., de 28 anos, que chegou ao Caps após uso abusivo de substâncias. “As oficinas terapêuticas me ajudaram a abrir a cabeça, mudaram a minha forma de pensar. Antes, quando estava mal, me isolava da minha família, dos meus amigos. Sentia que não era merecedor de nada. Hoje entendo que tenho uma doença, estou me tratando e pretendo continuar frequentando o Caps, porque me fez muito bem”, contou.
PORTAS ABERTAS – O psiquiatra da unidade frisou que todos os Caps da rede municipal de Saúde de São Bernardo funcionam de portas abertas e estão prontos, com equipes multidisciplinares, para atender os moradores que necessitarem. “O Caps AD é um lugar direcionado para as pessoas que têm algum transtorno aditivo, que fazem uso de drogas, de álcool, de dependência de jogos também. Nós estamos aqui com um trabalho multiprofissional, preparado para ajudar essas pessoas a combater esse problema”, reforçou Vinicius Bartolo.
Após o acolhimento, que visa identificar quais são as questões a serem tratadas, cada paciente recebe seu planejamento singular terapêutico. “A gente vai escutar ele, ver quais são as suas demandas, por meio de uma escuta qualificada. Temos diferentes atividades, oficinas, atendimentos individuais e em grupo, o apoio com a medicação e toda estrutura que os pacientes necessitam”, finalizou o psiquiatra.
Os endereços e horários de funcionamento de todos os Caps podem ser conferidos no link CLIQUE AQUI

