O cenário na Zona da Mata mineira é de devastação e dor. De acordo com o balanço atualizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais na tarde deste sábado (28), o número de vítimas fatais em decorrência das tempestades subiu para 66. A maior concentração de óbitos está em Juiz de Fora, com 60 mortes confirmadas, enquanto Ubá registra seis vítimas.
O número foi atualizado após a localização do corpo de um homem, ainda não identificado, nos escombros do bairro Linhares, em Juiz de Fora. As buscas, no entanto, não pararam. Três pessoas ainda são consideradas desaparecidas: duas em Ubá e o pequeno Pietro, de apenas 9 anos, cujo desaparecimento comove a cidade de Juiz de Fora.
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Calamidade pública e vulnerabilidade urbana
A força das águas, que castiga a região desde o início da semana, deixou marcas profundas. Em Juiz de Fora, a prefeita Margarida Salomão fez um alerta grave sobre a realidade local: uma em cada quatro pessoas vive em áreas de risco. Até o momento, a cidade registra mais de 4,2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e um acumulado de 2.149 ocorrências registradas pela Defesa Civil em apenas seis dias.
Devido à gravidade, os municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa tiveram o estado de calamidade pública oficialmente reconhecido. Outras cidades menores, como Divinésia e Senador Firmino, operam em estado de emergência.
Visita presidencial e promessa de reconstrução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou as áreas atingidas neste sábado e se reuniu com lideranças locais. Em tom de solidariedade, Lula afirmou que o governo federal dará suporte total para a recuperação da infraestrutura, mas lamentou as perdas irreparáveis.
“Os prefeitos têm que fazer um trabalho muito sério de levantamento de todos os prejuízos. A única coisa que, lamentavelmente, a gente não pode recuperar é a vida das pessoas que morreram. Aquilo que for material, educação, saúde, casas, nós vamos garantir que as pessoas vão ter de volta”, declarou o presidente durante a visita.
Auxílio financeiro e suporte às famílias
Para mitigar o sofrimento imediato das famílias, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional já aprovou o repasse de R$ 11,3 milhões em recursos federais. O foco inicial é a assistência humanitária (comida, água e abrigo) e o restabelecimento de serviços básicos.
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, confirmou um pacote de medidas econômicas para os atingidos:
- Antecipação de benefícios: Pagamentos do Bolsa Família e do BPC serão adiantados para os moradores das cidades afetadas.
- Saque do FGTS: Trabalhadores em áreas de calamidade poderão solicitar o saque por calamidade do FGTS, com limite de até R$ 6.220.
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O desafio da reconstrução
Enquanto os bombeiros e a Defesa Civil mantêm o monitoramento constante das encostas devido ao solo encharcado, o governo federal planeja a fase de reconstrução. Segundo Wellington Dias, profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas) já estão em campo para cadastrar as famílias que perderam tudo.
A tragédia na Zona da Mata reacende o debate sobre a necessidade urgente de investimentos em drenagem e contenção de encostas em cidades de relevo acidentado, um problema histórico que, em 2026, volta a cobrar um preço altíssimo em vidas humanas.
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Odair Junior/ABC Agora – *Com informações: Agência Brasil
