Imagine estar jantando na região da Rua Augusta ou dirigindo pela Avenida Paulista e, de repente, cruzar com centenas de pessoas pedalando sem nenhuma roupa. A cena, que tomou conta da noite deste sábado (14), não foi um “flash mob” sem sentido ou apenas exibicionismo.
O movimento tem nome, história e um objetivo que mexe diretamente com o bolso e a segurança de quem vive no Grande ABC e na capital: a sobrevivência no trânsito e o fim da dependência do petróleo.
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O corpo como única “lataria”
Para quem olha de fora, a nudez assusta. Para quem está em cima da bike, ela é um escudo. O grupo Massa Crítica, que organiza a edição paulistana da “Pedalada Pelada” (World Naked Bike Ride), explica que o ato é puramente político.
A lógica é simples: no trânsito caótico de São Paulo, o ciclista é invisível. Ao tirar a roupa, ele obriga o motorista a olhar. Segundo os organizadores, a pele exposta simboliza a fragilidade de quem não tem airbag, para-choque ou chapas de aço protegendo a vida.
“O objetivo é promover uma visão de segurança no trânsito, de não poluição e de positividade em relação aos corpos das pessoas”, afirmaram os organizadores nas redes sociais.
O trajeto do protesto
A concentração começou por volta das 20h na Praça Marechal Cordeiro de Farias, a famosa Praça dos Arcos, em Higienópolis. De lá, o mar de corpos pintados e bicicletas seguiu em direção ao coração financeiro do país.
O que os manifestantes defendem:
- Visibilidade Real: Sair da sombra dos pontos cegos dos ônibus e caminhões.
- Vulnerabilidade: Mostrar que a “lataria” do ciclista é o seu próprio peito.
- Pauta Ambiental: Um protesto direto contra o uso de combustíveis fósseis e o aquecimento global.
Por que pedalar pelado?
O movimento acontece há mais de 20 anos em cidades como Londres, Madri e Cidade do México. Em São Paulo, a passagem do grupo pela Rua Augusta em direção à Praça Roosevelt atraiu flashes e muitos questionamentos.
Nas redes sociais, vídeos do grupo viralizaram em minutos. Muitos participantes carregavam frases escritas na pele, cobrando infraestrutura de verdade e não apenas tintas no chão que fingem ser ciclovias seguras.
A mensagem central vai além do trânsito: é uma crítica severa ao impacto do petróleo no planeta. Ao pedalar nu, o manifestante se despe das conveniências da indústria e volta ao básico — a energia humana.
O impacto no cotidiano
Para o morador de cidades do ABC Paulista, que muitas vezes enfrenta rodovias saturadas e falta de integração entre modais, o protesto ressoa como um alerta. A segurança viária não é um tema isolado da capital; é uma urgência metropolitana.
O evento terminou sem incidentes graves, mas deixou uma pergunta no ar para quem ficou preso no congestionamento enquanto os ciclistas passavam: quem é mais livre e quem está mais protegido nas ruas de hoje?
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Por: Odair Junior/ABC Agora

