O Brasil está fechando as contas com o resto do mundo de um jeito bem mais equilibrado neste começo de 2026. Em fevereiro, o famoso “buraco” nas transações correntes, que é basicamente tudo o que o país gasta e ganha lá fora com mercadorias e serviços, caiu quase pela metade.
Se em fevereiro do ano passado a conta estava negativa em mais de US$ 10 bilhões, agora o Banco Central confirmou que esse saldo ficou em US$ 5,614 bilhões. Na prática, isso significa que o país está conseguindo segurar mais dinheiro dentro de casa e dependendo menos de socorro externo para fechar o mês.
O que fez a balança pender para o nosso lado?
A grande virada veio do que a gente vende para fora. As exportações brasileiras estão voando baixo e atingiram níveis recordes. O Brasil nunca vendeu tanto para outros países em um mês de fevereiro como agora.
Por outro lado, as importações caíram. E o motivo é sentido no dia a dia de quem mora no Grande ABC ou em qualquer capital: com os juros mais altos, o consumo interno deu uma freada. Com a economia rodando de forma mais lenta, compramos menos produtos de fora, o que acaba ajudando o saldo das contas nacionais.
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Os destaques do mês em números:
- Exportações: US$ 26,383 bilhões (alta de 14,8%).
- Importações: US$ 22,876 bilhões (queda de 5,1%).
- Saldo Comercial: Lucro de US$ 3,5 bilhões (contra prejuízo no ano passado).
A voz de quem entende os números
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, aponta que essa não é uma melhora passageira. Segundo ele, há uma trajetória clara de redução: já são três meses seguidos de queda no déficit, acumulando uma melhora de US$ 12,1 bilhões.
“As exportações estão em níveis recordes em todas as comparações para meses de fevereiro, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, com crescimento em diversos setores da economia”, explica Rocha.
Investimento Estrangeiro: O “dinheiro bom” continua chegando
Mesmo com a conta no vermelho, já que ainda gastamos mais do que ganhamos globalmente, o Brasil tem um porto seguro. O déficit é totalmente coberto pelo chamado Investimento Direto no País (IDP).
Esse é o dinheiro que vem para ficar: estrangeiros abrindo fábricas, comprando máquinas ou investindo em empresas aqui dentro. Em fevereiro, entraram US$ 6,754 bilhões dessa forma.
Por que isso importa para você?
- Estabilidade: Quando o déficit é pago com investimento produtivo, o risco de uma crise cambial (dólar disparar do nada) diminui.
- Reservas: O Brasil aumentou seu “colchão de segurança”. As reservas internacionais subiram para US$ 371 bilhões.
- Confiança: Investidores em carteira (bolsa e títulos) também voltaram a colocar dinheiro no mercado doméstico em fevereiro.
Viagens e remessas de lucro
Nem tudo é economia de custos. Onde o brasileiro ainda gasta bastante é em serviços, como viagens internacionais e aluguel de equipamentos, que levaram US$ 3,9 bilhões para fora.
Além disso, como o Brasil é um destino cheio de empresas estrangeiras, é natural que elas mandem os lucros de volta para suas matrizes. Essa remessa de lucros e dividendos somou US$ 5,6 bilhões no mês, um aumento de 2,1% comparado ao ano anterior.
No fim das contas, o cenário de 2026 começa com o Brasil mostrando que, apesar dos juros apertarem o consumo, a força das nossas vendas externas está garantindo uma saúde financeira que não víamos há algum tempo.

