| O verão costuma agravar o controle da asma em crianças e adultos, principalmente em períodos de calor intenso, aumento da poluição atmosférica e alta umidade. No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a doença, que está entre as principais causas de internação pelo Sistema Único de Saúde, segundo o Ministério da Saúde. Estudos indicam que ondas de calor estão associadas ao aumento de atendimentos hospitalares por crises de asma, especialmente na população pediátrica. A fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, explica que a estação concentra fatores que favorecem o agravamento dos sintomas. Entre eles estão a maior formação de ozônio em dias quentes e ensolarados, substância irritante das vias aéreas, além do aumento de mofo em ambientes úmidos e do uso prolongado de ar-condicionado sem manutenção adequada. “Durante a crise, o uso da medicação prescrita e o plano de ação são fundamentais. A fisioterapia atua como apoio, ajudando a aliviar o desconforto respiratório e a organizar a respiração”, afirma. Diretrizes internacionais reconhecem os exercícios respiratórios como estratégia complementar no tratamento da asma, com benefícios principalmente para sintomas e qualidade de vida. Pesquisas também apontam melhora do controle respiratório em pacientes que seguem programas de reeducação conduzidos por fisioterapeutas. Em crises leves a moderadas, quando o paciente já utilizou a medicação indicada, alguns exercícios podem ajudar a reduzir a sensação de falta de ar. Um deles é a respiração com lábios semicerrados, que consiste em inspirar pelo nariz e soltar o ar lentamente pela boca, com os lábios quase fechados. A técnica ajuda a desacelerar a respiração e diminuir o aperto no peito. Outra opção é a respiração diafragmática. A orientação é sentar com apoio nas costas, colocar uma mão no abdômen e outra no tórax, inspirar pelo nariz buscando maior movimento abdominal e soltar o ar de forma lenta. Segundo a fisioterapeuta, esse exercício contribui para reorganizar o padrão respiratório, frequentemente alterado em pessoas com asma. Também é indicada a posição de alívio da falta de ar. O paciente deve sentar, inclinar levemente o tronco para frente, apoiar os antebraços nas coxas ou em uma mesa e associar a postura à expiração lenta. “Essa posição reduz o esforço respiratório e ajuda a recuperar o controle da respiração, principalmente quando a crise vem acompanhada de ansiedade”, explica Mariana. A especialista alerta que, diante de sinais de gravidade como dificuldade para falar, coloração arroxeada dos lábios, sonolência ou ausência de resposta à medicação de resgate, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Para prevenir crises no verão, a recomendação inclui manter os ambientes ventilados, reduzir poeira, evitar produtos com cheiro forte, controlar a umidade e evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes, além de manter o tratamento em dia. |