O mercado financeiro viveu um dia de forte alívio nesta terça-feira (31/3). O clima de tensão que dominou o mês de março deu lugar a um “apetite por risco” global, após sinais concretos de que a guerra no Oriente Médio pode estar perto de um desfecho diplomático. O reflexo imediato no Brasil foi a queda acentuada do dólar e uma disparada do Ibovespa, que encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um desempenho histórico.
O otimismo foi alimentado por declarações cruzadas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder iraniano, Masoud Pezeshkian. Ambos indicaram abertura para negociar o fim das hostilidades, o que retirou o peso da incerteza que travava os investimentos nas últimas semanas.
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Dólar: O melhor trimestre para o Real
O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,179, uma queda expressiva de 1,31%. Este é o menor valor da moeda desde 11 de março. O recuo consolidou um dado impressionante para a economia brasileira: apesar de toda a volatilidade causada pelo conflito, o real foi a moeda com o melhor desempenho global no primeiro trimestre de 2026, acumulando uma valorização de 5,65% frente ao dólar.
Bolsa: Recuperação e recorde trimestral
Acompanhando o bom humor de Wall Street, o Ibovespa subiu 2,71%, atingindo os 187.462 pontos. Embora o índice tenha fechado o mês de março com uma leve queda de 0,70% — reflexo do auge das tensões militares —, o saldo do trimestre é extremamente positivo: uma alta de 16,35%, o melhor começo de ano para a bolsa brasileira desde 2020.
Analistas apontam que o fluxo de capital estrangeiro, atraído pela perspectiva de estabilidade, foi o grande motor dessa subida, mas alertam que o mercado continua “sensível” a qualquer mudança no tabuleiro militar.
Petróleo: O “alívio” nos preços
O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, sentiu o golpe da possível trégua e recuou cerca de 3%, fechando a US$ 103,97. A queda aconteceu após notícias de que o Irã aceitaria encerrar o conflito sob determinadas condições.
Mesmo com o recuo de hoje, o saldo do mês de março para a commodity é de “ferver”: uma valorização de 40%. O risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial, manteve os preços em patamares elevados durante todo o período.
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Odair Junior/ABC Agora | *Com Informações: Agência Brasil

