O Governo de São Paulo recebeu, nesta terça-feira (24), um “cheque em branco” parcial para realizar algumas das maiores obras de infraestrutura da década. A Assembleia Legislativa (Alesp) aprovou o PL 128/2026, que autoriza a gestão estadual a contrair empréstimos que somam quase R$ 15 bilhões.
A votação foi expressiva: 54 votos a favor e apenas 4 contrários. O montante, que será captado junto a bancos nacionais e internacionais, vai irrigar projetos que vão do asfalto do Rodoanel à assistência social. “É um montante relevante que vai trazer benefícios para que o Governo consiga realizar obras e programas”, afirmou o deputado Gilmaci Santos (Republicanos), líder do Governo na Casa.
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Onde o dinheiro será aplicado?
O projeto é um verdadeiro “combo” de investimentos. A maior fatia será destinada a destravar gargalos históricos e modernizar a máquina pública.
1. Rodoanel (R$ 5,3 bilhões): O maior volume de recursos vai para os trechos Norte, Leste e Sul. A prioridade é o trecho Norte, onde R$ 4,4 bilhões serão usados para ajustes contratuais e reassentamento de famílias. Nos trechos Leste e Sul, o destaque é a instalação do sistema free flow (pedágio eletrônico sem praças físicas), além de novos acessos para Suzano e Poá.
2. Nova Sede do Governo (R$ 3,4 bilhões): Um dos projetos mais ambiciosos é a transferência do gabinete do governador e das 28 secretarias para a região dos Campos Elíseos, no Centro da Capital. A ideia é unificar a administração para economizar aluguel e ajudar na revitalização da área central. Mais de 22 mil servidores devem trabalhar no novo complexo.
3. Saúde e Social (R$ 1,2 bilhão): O pacote inclui R$ 824 milhões para a Rede de Atenção à Saúde, prevendo inclusive a construção de um Hospital Geral Regional em Itapetininga. Outros R$ 430 milhões vão para o programa “SuperAção da Pobreza”, focado em famílias vulneráveis.
4. Gestão da Dívida (R$ 5 bilhões): Cerca de um terço do valor total será usado para a chamada “troca de dívida”. O Estado vai pegar dinheiro emprestado com juros menores para quitar dívidas antigas e mais caras, tentando aliviar o caixa a longo prazo.
Debate e Críticas: O “Custo” do Empréstimo
Apesar da aprovação folgada, o clima no Plenário não foi apenas de festa. Deputados da oposição e de alas independentes levantaram dúvidas sobre a transparência do uso desses recursos.
O deputado Dr. Jorge do Carmo (PT) alertou para o comprometimento do caixa futuro: “Precisamos saber o porquê dos empréstimos e como serão aplicados e pagos”. Já o deputado Guto Zacarias (Missão) criticou o uso de crédito para programas sociais. “Não tem lógica pegar um empréstimo para fazer benefício social em pleno ano eleitoral, ao invés de ir para salário de professores e policiais”, disparou.
O Próximo Passo
Agora, o projeto segue para as mãos do governador, que deve sancionar a lei nos próximos dias. A partir daí, o Estado inicia as negociações com agências de fomento e bancos internacionais (com lastro em dólar) para liberar os recursos. A previsão é que o impacto maior desses investimentos comece a ser sentido no Orçamento de 2027.

