Em uma conversa por telefone na noite desta quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping conversaram por cerca de 45 minutos sobre o fortalecimento da parceria bilateral e a situação política global, marcada por tensões internacionais e desafios ao sistema de regras multilaterais.
O diálogo reforçou o compromisso de Brasil e China com o multilateralismo, em especial com o papel das Nações Unidas (ONU) como pilar das relações internacionais, e destacou a importância de cooperação Sul-Sul diante de um cenário global considerado “turbulento” pelos dois líderes.
Isenção de vistos e cooperação econômica
Um dos anúncios mais relevantes da ligação foi feito por Lula: o Brasil vai conceder isenção de visto de curta duração a cidadãos chineses em reciprocidade à política adotada por Pequim desde 2025, que já isenta brasileiros de visto para turismo, negócios e outras visitas de até 30 dias.
egundo o governo brasileiro, a medida visa aprofundar o intercâmbio entre os dois países em áreas como tecnologia, infraestrutura e pesquisa, além de facilitar fluxos de turismo e negócios. A isenção segue critérios semelhantes aos do lado chinês e faz parte de um esforço mais amplo de intensificar relações econômicas e científicas.
Esse movimento reforça um momento de aproximação estratégica entre Brasília e Pequim, em que projetos conjuntos estiveram em pauta desde a assinatura da chamada “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China” em 2024 — uma agenda que busca integração em setores de fronteira do conhecimento e desenvolvimento sustentável.
Cenário geopolítico e críticas à intervenção dos EUA na Venezuela
A conversa entre Lula e Xi ocorreu em meio a forte debate internacional sobre a postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Recentemente, Washington realizou uma operação militar no país vizinho e prendeu o presidente Nicolás Maduro, acusando-o de narcotráfico — uma ação que provocou críticas duras de líderes latino-americanos e gerou incerteza na região.
Em artigo publicado no New York Times, Lula afirmou que “é fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável” e defendeu que o futuro de países como a Venezuela deve ser decidido por seus próprios povos, sem intervenções externas.
Essas declarações ecoaram durante a ligação com Xi, que reiterou a importância de salvaguardar os interesses do Sul Global e enfatizou a necessidade de cooperação entre as nações em um contexto internacional volátil.
Defesa das Nações Unidas e política global
Outro ponto central tratado na conversa foi o reforço ao papel das Nações Unidas como guardiã do direito internacional e da estabilidade global. Líderes de Brasil e China concordaram que a organização deve ser preservada frente a desafios contemporâneos, como ações unilaterais de grandes potências que, segundo aliados diplomáticos, podem ameaçar a igualdade entre os Estados membros.
A postura de Lula e Xi também foi interpretada por analistas como um sinal de que Brasil e China pretendem se posicionar como contrapontos à política de coerção de potências tradicionais, defendendo normas internacionais que privilegiem o diálogo, o comércio livre e o respeito à soberania.
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*Com informações: Agência Brasil
