Na semana em que a cidade de São Paulo celebra 472 anos, com entregas de moradias, unidades de saúde e a inauguração de um novo parque, um dos espaços mais simbólicos da capital voltou a fazer parte do dia a dia da população. A Marquise do Parque Ibirapuera foi reaberta neste sábado (24), após passar por um amplo processo de requalificação estrutural conduzido pela Prefeitura.
A entrega marca o retorno de um patrimônio histórico e cultural da cidade, agora com novas possibilidades de uso, mais segurança e regras atualizadas para a convivência entre diferentes públicos.
Ao devolver oficialmente o espaço à população, o prefeito Ricardo Nunes destacou o simbolismo da reabertura durante o aniversário da capital paulista.
“É um dia de alegria para nós, dia de fazer a entrega desse importante patrimônio da cidade. E fazemos essa entrega na semana da comemoração dos 472 anos da melhor cidade do mundo, que é a nossa cidade de São Paulo”, afirmou.
Obras estruturais preservam características originais
Com cerca de 27 mil metros quadrados, a Marquise José Ermírio de Moraes passou por intervenções completas, que incluíram:
- Recuperação do forro
- Reforço estrutural de pilares, vigas e laje
- Impermeabilização
- Novo sistema de drenagem
- Adequação da platibanda
- Troca do piso
- Modernização da iluminação
As obras tiveram início em 2024 e foram acompanhadas pelos órgãos de tombamento, garantindo a preservação das características originais do projeto arquitetônico.
A requalificação foi executada pela concessionária Urbia, responsável pela gestão do Parque Ibirapuera desde 2020, com investimento superior a R$ 86,9 milhões, provenientes da Prefeitura de São Paulo.
Novo decreto amplia formas de uso da Marquise

Além da recuperação física, a reabertura da Marquise representa uma mudança importante na forma de ocupação do espaço. Um novo decreto, publicado nesta semana no Diário Oficial da Cidade, passou a regulamentar o uso da área, flexibilizando regras que estavam em vigor desde 2003.
Até então, o espaço era restrito basicamente à caminhada. Com a nova regulamentação, a Marquise passa a contar com:
- Trechos exclusivos para skate, patins e BMX, que ocupam cerca de 3,6 mil m²
- Espaço infantil, com aproximadamente 700 m²
- Áreas preservadas para caminhada e circulação de idosos
As regras foram definidas após diálogo com o conselho gestor do parque, a concessionária e usuários do espaço.
Segundo o prefeito, o processo foi baseado no consenso.
“É importante destacar que havia um decreto de 2003 que proibia qualquer atividade que não fosse caminhar. Fizemos um trabalho com o conselho gestor do parque, com a concessionária, com os usuários e chegou-se a um consenso, por meio do diálogo, para compartilhar de forma harmônica e democrática. Então, a gente vai ter os espaços para quem é skatista, para quem usa bicicleta, deixando espaço reservado para quem é idoso”, explicou.

Regras garantem preservação e convivência
O decreto também estabelece diretrizes para a preservação da estrutura histórica da Marquise. Entre as regras estão:
- Restrição do uso de bicicletas com aro superior a 16 na área infantil
- Limitação do volume de caixas de som
- Regulamentação de eventos de pequeno porte, que devem seguir o Plano Diretor do Parque Ibirapuera
A proposta é garantir o uso compartilhado do espaço sem comprometer a integridade da estrutura e o conforto dos frequentadores.
Patrimônio da arquitetura moderna brasileira
Projetada por Oscar Niemeyer em 1954, a Marquise do Ibirapuera conecta importantes equipamentos culturais da cidade, como o Museu de Arte Moderna (MAM), a Oca e o Museu Afro Brasil.
Ao longo das décadas, o espaço se consolidou como área de circulação, permanência e lazer, além de referência da arquitetura moderna brasileira e símbolo da identidade cultural paulistana.
Expansão dos parques municipais
A reabertura da Marquise ocorre em um contexto mais amplo de ampliação e qualificação dos parques municipais. Nos últimos anos, a Prefeitura inaugurou 13 novos parques, entre eles:
- Linear Córrego do Bispo
- Jardim Apurá–Búfalos
- Fazenda da Juta, entregue na última quinta-feira (22)
Somente em 2025, os parques municipais receberam mais de 57,9 milhões de visitantes. Para celebrar esse patrimônio ambiental, a Prefeitura lançou o livro “São Paulo, Cidade Verde – Um Guia de Todos os Parques Municipais da Capital”, disponível gratuitamente ao público.
Frequentadores celebram reabertura
Logo nas primeiras horas após a reabertura, a Marquise voltou a ser ocupada por pessoas de todas as idades. Crianças, jovens e idosos dividiram o espaço em clima de celebração.
Frequentador assíduo do local, o jornalista e skatista Fabio Henrique Brito Araújo, conhecido como Bolota, de 59 anos, destacou o valor histórico do espaço para o skate paulistano.
“A volta da marquise parece que foi a volta pra casa, pois ela ficou fechada por muito tempo. Há sete anos, a gente vinha aqui ao parque para andar, curtir, caminhar, mas parecia que faltava alguma coisa. Hoje, parece que a gente voltou para aquela casa que deixou há muito tempo, agora reformada, com piso e teto novos. A marquise tem uma história muito forte não só com o skate, mas também com o patins e a bicicleta”, contou.
O bombeiro civil Danilo Teodoro, de 35 anos, também celebrou as melhorias.
“Para quem patina o piso está ótimo e a gente consegue treinar com mais liberdade e sem risco de acidentes”, afirmou.
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*Com informações: SPMSP
