O sistema de transporte público no Brasil está prestes a enfrentar uma mudança drástica de paradigma. Durante participação no programa “Bom Dia, Ministro” nesta terça-feira (24), o titular da pasta das Cidades, Jader Filho, foi enfático ao diagnosticar a situação atual: o modelo de cobrança de passagens em ônibus, trens e metrôs esgotou sua capacidade de funcionamento.
Para o ministro, a conta do transporte não pode mais recair majoritariamente sobre o bolso do trabalhador. A declaração ecoa em um momento de pressão inflacionária e discussões sobre a qualidade da mobilidade urbana, especialmente em regiões metropolitanas densas, como o Grande ABC paulista e as capitais brasileiras.
A falência do modelo atual e o foco no subsídio
Segundo Jader Filho, a dependência direta da tarifa paga pelo usuário para manter o sistema operacional é um problema global que o Brasil precisa enfrentar com urgência. O objetivo agora é articular, junto a estados e municípios, uma estrutura que permita a redução ou até a isenção total das tarifas (a chamada Tarifa Zero).
“O certo é que o modelo que está posto, onde o cidadão tinha que pagar por toda a tarifa, está falido, esse modelo não funciona mais. Não é no Brasil, é no mundo. E a gente precisa, de fato, discutir o processo de subsídio”, afirmou o ministro.
Essa mudança de visão foca na responsabilidade compartilhada. Jader ressaltou que a gestão do presidente Lula tem como prioridade levar transporte de qualidade para todos os pontos do país, tratando o deslocamento urbano como um direito social e não apenas um serviço comercial.
Investimentos de R$ 50 bilhões pelo Novo PAC
A reestruturação do setor não passa apenas pelo preço da passagem, mas pela modernização da infraestrutura. O Ministério das Cidades confirmou que mais de R$ 50 bilhões já foram carimbados através do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Os recursos estão sendo direcionados para:
- Sistemas de alta capacidade: Expansão de linhas de metrô e implantação de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos).
- Corredores exclusivos: Construção de faixas de ônibus para reduzir o tempo de viagem.
- Renovação de frota: Substituição de veículos antigos por modelos mais modernos e menos poluentes.
O ministro aproveitou para fazer uma comparação política, afirmando que o montante investido nos últimos três anos supera o hiato de investimentos da gestão anterior. “Nós já estamos superando mais de R$ 50 bilhões só nesses três anos e queremos, obviamente, fazer mais investimentos para que a gente possa melhorar a vida do povo”, pontuou.
O desafio de R$ 450 bilhões até 2050
Apesar dos valores já liberados, o diagnóstico para o futuro é desafiador. Um estudo realizado em parceria com o BNDES mapeou as 20 principais regiões metropolitanas do país e identificou um déficit de investimentos que chega a R$ 450 bilhões até o ano de 2050.
A ideia é que esse valor seja viabilizado por um mix de fontes: recursos do Tesouro Nacional, financiamentos de bancos públicos e parcerias público-privadas (PPPs). O foco central é o ganho de qualidade de vida, permitindo que o cidadão gaste menos tempo no trânsito e mais tempo com a família ou em atividades pessoais.
“Foram identificados diversos investimentos para que nós possamos fazer melhorar a nossa malha, que o usuário possa ter um transporte público melhor, que o trânsito da nossa cidade não fique tão congestionado, que as pessoas não levem tanto tempo para chegar às suas casas”, concluiu Jader Filho.
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*Com informações: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

