O transtorno bipolar afeta cerca de 2% da população brasileira, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Apesar de comum, o quadro, que é marcado por oscilações intensas de humor, ainda é cercado por desinformação e estigmas, sendo frequentemente confundido com variações emocionais do dia a dia.
O diagnóstico é feito, principalmente, a partir da identificação de episódios de mania, hipomania e depressão, que podem variar em intensidade e duração. Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, durante a mania, é comum haver euforia ou irritabilidade, aumento de energia e comportamentos impulsivos. Já a hipomania apresenta sintomas semelhantes, porém mais leves.
Na fase depressiva, predominam tristeza profunda, desânimo, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração e, em casos mais graves, pensamentos suicidas. “Muitas pessoas procuram ajuda apenas na fase depressiva e não percebem episódios anteriores de hipomania”, alerta a psicóloga.
Segundo ela, as alterações do transtorno bipolar podem impactar diretamente a vida social, profissional e familiar, ao comprometer o julgamento, a regulação emocional e a manutenção de rotinas. “São oscilações clinicamente significativas, que afetam o sono, a energia, o comportamento, a tomada de decisões e até a forma como a pessoa percebe a si mesma e a realidade”, explica.
A especialista reforça que a condição não está relacionada à “fraqueza” ou falta de controle, mas a alterações em neurotransmissores, como serotonina, dopamina e noradrenalina, além de fatores genéticos e mudanças em circuitos cerebrais ligados ao humor.
A professora de psicologia afirma que, nesse contexto, a psicoterapia tem papel fundamental ao ajudar no reconhecimento de sinais de alerta, na organização da rotina, especialmente do sono, no desenvolvimento de estratégias de regulação emocional e no fortalecimento das relações, já que ela contribui para reconhecer sinais de alerta, estruturar a rotina, especialmente o sono, desenvolver estratégias de regulação emocional e fortalecer relações.
O acompanhamento também auxilia na reestruturação de pensamentos e no desenvolvimento de autonomia, favorecendo a qualidade de vida. Sobre o diagnóstico, a psicóloga ressalta que ele não deve ser visto como rótulo, mas como um guia para o cuidado. “O diagnóstico não define quem a pessoa é. Ele é um caminho, um guia que ajuda a entender padrões emocionais e comportamentais e a direcionar intervenções mais adequadas”, explica, acrescentando que esse processo considera a história, a singularidade e as potencialidades de cada indivíduo.
A especialista ainda destaca a importância do apoio da família e da rede de convivência, já que um ambiente informado tende a ser mais acolhedor e colaborativo, contribuindo para a adesão ao tratamento e a redução do estigma. Dra Mariana reforça que a recomendação é buscar avaliação profissional quando as oscilações de humor passam a interferir na rotina, prejudicando trabalho, estudos, relações ou padrões de sono e energia, pois o diagnóstico precoce é essencial para reduzir riscos e melhorar o prognóstico.
Sinais de alerta de transtorno bipolar, segundo a especialista:
- Oscilações intensas de humor entre euforia e depressão
- Períodos de energia excessiva ou agitação incomum
- Diminuição da necessidade de sono sem cansaço
- Impulsividade ou comportamentos de risco
- Fala acelerada ou pensamentos muito rápidos
- Irritabilidade frequente
- Episódios prolongados de tristeza profunda
- Perda de interesse em atividades antes prazerosas
- Dificuldade de concentração
- Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio
Sobre a Afya
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