Na manhã desta sexta-feira, dia 6 de março, o Teatro Municipal de Mauá recebeu mais de 400 pessoas para celebrar os 12 anos da Patrulha Maria da Penha. O evento reuniu autoridades e moradores para discutir como a cidade se tornou um porto seguro para mulheres que sofrem abusos, oferecendo proteção mesmo para aquelas que ainda não possuem medidas judiciais. Para o morador de Mauá e das cidades vizinhas, o encontro reforça que a segurança pública na região está cada vez mais integrada para salvar vidas.
A estrutura que garante o recomeço em Mauá

O prefeito Marcelo Oliveira apresentou dados duros sobre a realidade brasileira, onde uma mulher é morta a cada quatro horas, mas destacou que Mauá não fica apenas no discurso. A prefeitura paga o aluguel social para quem não pode voltar ao lar por causa do agressor e encaminha as vítimas para cursos e empregos de forma sigilosa. O objetivo é garantir independência financeira, já que a falta de dinheiro é um dos principais motivos que prendem a mulher ao ciclo de violência.

A eficiência desse trabalho rendeu um convite internacional. A secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Cida Maia, vai representar Mauá na ONU, em Nova Iorque, entre os dias 9 e 19 de março. Ela participará da 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, levando o modelo de sucesso do ABC para o mundo.
Mas o aumento das denúncias na cidade esconde um detalhe importante que muitos não percebem…
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Por que ter mais queixas é um sinal de avanço?
Mauá é hoje a cidade com o maior número de notificações de violência contra a mulher no ABC Paulista. Segundo a secretária Cida Maia, isso não significa que a cidade está mais violenta, mas sim que as mulheres agora têm coragem de falar. Elas sabem que não estão sozinhas e que existe uma rede pronta para apoiar a família toda, inclusive os filhos.
A juíza Danielle Galhano, da 1ª Vara Criminal de Mauá, reforçou que o combate passa pela punição, mas depende muito da educação. Durante sua palestra, ela explicou que muitos agressores nem sequer se reconhecem como tal devido a uma cultura antiga que trata a mulher como propriedade. A magistrada faz questão de deixar claro em suas audiências que a vítima nunca é culpada pelo comportamento do agressor.
Essa mudança de pensamento é o que motiva o encontro das forças de segurança de toda a nossa região…
Guardas do ABC discutem atendimento humanizado
O encerramento do evento contou com uma mesa redonda entre guardas civis de Mauá, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O grupo discutiu técnicas para melhorar a escuta das vítimas, evitando que elas tenham que repetir o trauma várias vezes. A ideia é que o atendimento seja rápido e acolhedor em qualquer canto do ABC.
Se você souber de algum caso de violência doméstica, denuncie. A rede de proteção está ativa e preparada para intervir e proteger o futuro das famílias de nossa região.

