A Petrobras decidiu que é hora de voltar a ser “dona da casa” em dois campos valiosos no litoral do Sudeste. Ao exercer seu direito de preferência, a estatal brasileira interrompeu um negócio que estava sendo desenhado pela Brava Energia (fusão de 3R e Enauta) e fechou a recompra de 50% de Tartaruga Verde e do Módulo III de Espadarte.
O valor do negócio gira em torno de US$ 450 milhões (aproximadamente R$ 2,3 bilhões). A vendedora é a Petronas, que havia adquirido essa mesma fatia em 2019, durante o processo de desinvestimento da gestão Jair Bolsonaro. Naquela época, a venda foi fechada por mais de US$ 1,2 bilhão, mas as condições de mercado e de produção eram outras.
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Por que a Petrobras agiu agora?
O movimento não é por acaso. O mundo vive uma escalada no preço do petróleo, com o barril do tipo Brent superando a marca de US$ 100 — uma alta de 70% só este ano.
O motivo principal é a tensão no Irã. Após ataques de Israel e dos Estados Unidos, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Com o mercado global “seco” e preços subindo, ter controle total sobre campos que já produzem cerca de 55 mil barris por dia é um trunfo financeiro e estratégico.
O “cheque” e as condições
A Petrobras não vai pagar tudo de uma vez. O cronograma de pagamento ficou assim:
- US$ 50 milhões na assinatura do contrato;
- US$ 350 milhões no fechamento da operação (o famoso “closing”);
- Duas parcelas de US$ 25 milhões em 12 e 24 meses após a conclusão.
Para a diretoria da estatal, a compra tem “condições econômico-financeiras atrativas” e traz mais agilidade para decidir o futuro desses ativos, que já são operados pela plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes.
Retomada de Território
Essa recompra simboliza uma mudança clara de rota na estratégia da companhia. Se entre 2019 e 2022 o foco era vender ativos para “enxugar” a empresa, a atual gestão foca em fortalecer a presença no segmento de óleo e gás, priorizando ativos que geram valor imediato aos acionistas em tempos de crise global.
A conclusão do negócio ainda depende do aval da ANP (Agência Nacional do Petróleo), mas a expectativa é que o processo corra sem sobressaltos, consolidando a Petrobras como única dona dessas reservas na porção sul da Bacia de Campos.
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Por: Odair Junior/ABC Agora | *Com informações: Agência Brasil

