A linha entre o jornalismo e a perseguição pessoal virou alvo de uma operação da Polícia Federal nesta semana. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, agentes federais estiveram na casa do blogueiro Luís Pablo, em São Luís, para apreender computadores e celulares. A acusação é grave: o comunicador estaria monitorando os deslocamentos de Flávio Dino e de seus familiares no Maranhão.
Segundo a investigação, Pablo acompanhava de perto o uso do carro oficial utilizado pela segurança do ministro, um veículo que pertence ao Tribunal de Justiça, para sustentar reportagens sobre supostas irregularidades no uso do transporte.
O caminho do processo no STF
A investigação não começou ontem. O pedido veio da própria PF e teve o “carimbo” de aprovação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Inicialmente, o caso caiu nas mãos do ministro Cristiano Zanin, mas houve uma mudança de rota: no mês passado, Zanin pediu a redistribuição do processo, que acabou indo parar na mesa de Alexandre de Moraes, conhecido por relatar inquéritos envolvendo ataques e ameaças a membros da Corte.
O crime de perseguição (Stalking)
O foco da PF é entender se o blogueiro ultrapassou o limite da fiscalização pública e entrou no campo do “stalking” (perseguição), crime previsto no Código Penal que pune quem invade a liberdade ou privacidade de alguém de forma reiterada.
O que diz a defesa
Luís Pablo não ficou calado. Em nota oficial, ele afirmou que ainda não teve acesso total ao processo, mas defendeu seu trabalho. Segundo o blogueiro, suas publicações são pautadas pelo “exercício responsável do jornalismo” e pela apuração de fatos de interesse público. Ele reforçou que a liberdade de imprensa e o direito à informação são princípios constitucionais que garantem o seu trabalho no Maranhão.
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Por: Odair Junior/ABC Agora | *Com informações: Agência Brasil

