Quem tentou pagar o almoço ou transferir dinheiro na tarde desta segunda-feira (19) enfrentou um obstáculo inesperado. O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que se tornou essencial no cotidiano brasileiro, apresentou uma instabilidade em larga escala, afetando as principais instituições financeiras do país e deixando milhares de usuários “na mão”.
A falha não foi um problema isolado de um único banco. De acordo com o Banco Central (BC), a origem do transtorno foi um problema interno no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT). Na prática, essa é a “grande lista” central que armazena e valida todas as chaves Pix do Brasil. Sem esse motor funcionando, as transações não conseguem ser completadas.
Pico de reclamações e bancos atingidos
O termômetro da crise foi o site DownDetector, que monitora falhas em serviços digitais em tempo real. Por volta das 14h40, o portal registrou um pico de mais de 6 mil reclamações simultâneas. O apagão digital atingiu em cheio os clientes dos maiores players do mercado.
Entre as instituições que registraram maior volume de queixas estão:
- Tradicionais: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
- Digitais: Nubank, Inter e C6 Bank.
O impacto foi sentido imediatamente no varejo. Comerciantes de todo o Brasil, inclusive no forte polo comercial do Grande ABC, relataram dificuldades para confirmar recebimentos. Até mesmo recargas de maquininhas de cartão que utilizam o sistema Pix foram afetadas, gerando filas e desconforto nos pontos de venda.
O que diz o Banco Central
Em nota oficial divulgada para tranquilizar o mercado e os consumidores, a autoridade monetária confirmou que a situação foi pontual e já está sob controle.
“As equipes técnicas atuaram na identificação e resolução da causa, e o Pix já está operando normalmente”, informou o BC em nota.
As queixas começaram a apresentar uma queda drástica no fim da tarde, o que corrobora a informação de que o serviço foi restabelecido. No início da noite, o volume de reclamações no DownDetector já estava próximo de zero.
O que fazer se o seu Pix “sumiu” ou não caiu?
Especialistas em finanças recomendam que, em casos de instabilidade centralizada como esta, o usuário evite repetir a transação várias vezes seguidas para não gerar duplicidade de pagamentos assim que o sistema retornar.
Dicas de segurança para instabilidades:
- Verifique o extrato: Antes de tentar novamente, veja se o valor foi debitado.
- Aguarde o comprovante: Às vezes o dinheiro sai da conta, mas demora a chegar ao destino devido ao represamento de dados.
- Use alternativas: Em emergências, utilize o cartão de débito físico ou dinheiro em espécie enquanto o BC não confirma a estabilização total.
O episódio reforça a dependência que a economia brasileira desenvolveu em relação ao sistema. Por ser o principal meio de pagamento eletrônico do país, qualquer “soluço” no sistema gera efeitos em cascata em todos os setores da sociedade.
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Por: Odair Junior/ABC Agora | *Com informações: Agência Brasil
