Diferente do que muita gente pensa, o Bolsa Família e o CadÚnico não são pontos finais, mas sim pontes para o mercado de trabalho. Os dados mais recentes do Caged, referentes a janeiro de 2026, revelam um fenômeno curioso: esse público está “segurando” a vaga com muito mais garra do que a média geral dos trabalhadores.
No primeiro mês do ano, enquanto o saldo geral de empregos no Brasil ficou no vermelho (negativo em 146 postos), o pessoal do Cadastro Único deu um show de estabilidade. Foram 112.480 novos postos de trabalho formais criados para esse grupo.
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O fim do “entra e sai” nas empresas?
Um dos grandes problemas dos empresários hoje é o tal do turnover — aquele rodízio sem fim de funcionários. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o público do CadÚnico está ajudando a resolver isso.
Eles entram e, mais importante, ficam. Quando olhamos apenas para quem recebe Bolsa Família, o saldo foi de 85.596 empregos positivos. A lógica é simples: enquanto a média de quem sai do emprego é alta em outros setores, entre os beneficiários, esse número cai drasticamente.
“As informações apresentadas demonstram que as admissões do público do Cadastro Único são importantes para a redução da variável turnover nas empresas”, afirmou o diretor da Sisec, braço do Ministério que cuida dessa inclusão.
Onde estão as oportunidades?
Se você está em busca de uma vaga ou acompanha o mercado no Grande ABC e em São Paulo, o setor de Serviços é o caminho das pedras. Foi o segmento que mais contratou pessoas do CadÚnico em janeiro, seguido de perto pela indústria.
Os setores que mais abriram as portas:
- Serviços: 49,67 mil novas vagas líquidas.
- Indústria: 31,61 mil postos.
- Construção: 21,34 mil postos.
O economista Saumíneo Nascimento explica que o setor de serviços leva vantagem porque oferece mais chances de capacitação rápida para quem está começando ou quer mudar de área.
Jovens lideram, mas “experientes” não ficam para trás
O perfil de quem conseguiu o emprego em janeiro tem cara de recomeço. A maioria (61%) terminou o Ensino Médio, derrubando o mito de que o público do Cadastro Único não tem escolaridade para o mercado formal.
Além disso, a garotada de 18 a 24 anos lidera as contratações, mas há um dado valioso para quem já passou dos 40: o saldo de contratações para pessoas entre 30 e 59 anos continua positivo e firme. Ou seja, a experiência está sendo valorizada.
Raio-X do Emprego no Brasil (Janeiro 2026)
| Estado | Saldo Geral de Vagas |
| Santa Catarina | 19.000 |
| Mato Grosso | 18.646 |
| Rio Grande do Sul | 18.421 |
| Paraná | 18.306 |
| São Paulo | 16.451 |
Sozinhos, esses cinco estados foram responsáveis por 80% de todo o saldo de empregos do país no mês.

